sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Pobres atenienses (Atos 17.16-21)

Atenas era um dos mais importantes centros culturais do mundo antigo. Uma cidade muito rica. Ainda hoje se pode visitar em Atenas as ruínas de construções imensas e belas como o Erectheion e o Partenon e o templo do Zeus Olímpico, que tinha 104 colunas de 17 metros de altura e 2 metros de diâmetro.

Mas toda essa riqueza de Atenas não tinha nenhum valor para o apóstolo Paulo, que viu nos atenienses uma profunda pobreza espiritual. Ele ficou revoltado ao ver a situação em que os atenienses se encontravam. Seu coração não se conformava em vê-los assim.

Por isso, além de pregar na sinagoga, pregava também na praça, onde a maioria se reunia, para tentar fazê-los entender que estavam num caminho que os levaria à perdição. É possível afirmar que Paulo fez pelo menos três constatações sobre a pobre situação dos atenienses que o motivaram a pregar numa praça de Atenas.

Os atenienses se perdiam em meio à idolatria (16)

“Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade”.

A idolatria reinava. Fazia parte do seu cotidiano, era normal. Os deuses gregos não eram muito diferentes dos homens quanto aos seus sentimentos e atos pecaminosos. Na verdade, como observa Roriz (2017)[1] em uma revista educacional,

[...] a mitologia serviu para justificar atos falhos dos homens. Donos de terra e monarcas possuíam sua própria versão das antigas lendas e as impunham às pessoas de acordo com seus interesses mesquinhos. Um homem rico poderia ser infiel à esposa, pois seguia os exemplos de Zeus. Mesmo o vício pela bebida era visto como uma virtude pelos homens que acreditavam que o álcool o aproximava dos deuses. Segundo as leis dionisíacas, o homem que alcançasse um estado de euforia por meio da bebida, poderia se transformar em um herói, o primeiro estágio para conquistar a imortalidade. Por outro lado, a embriaguez também poderia ser explicada pela mitologia. De acordo com os gregos antigos, aquele que tentasse ser imortal por meio da bebida seria amaldiçoado pelos deuses, tornando-se desequilibrado e socialmente inábil.

A idolatria tem muitas definições que até evoluem com o tempo. Nós, os evangélicos, temos sérias divergências com os católicos no que diz respeito à utilização de imagens em seu culto, o que os evangélicos consideram como idolatria, mas os católicos fazem distinção entre veneração e adoração.

Precisamos admitir, porém, que o catecismo da Igreja Católica tem em seu texto uma excelente definição de idolatria, e alerta sobre várias práticas idólatras que vão muito além da adoração de imagens. Vejamos alguns trechos de um comentário do Catecismo[2]:

§2112 O primeiro mandamento condena o politeísmo. Exige que o homem não acredite em outros deuses afora Deus, que não venere outras divindades afora a única. A escritura lembra constantemente esta rejeição de "ídolos, ouro e prata, obras das mãos dos homens", os quais "têm boca e não falam, têm olhos e não vêem..." Esses ídolos vãos tornam as pessoas vãs: [...].

§2113 A idolatria não diz respeito somente aos falsos cultos do paganismo. Ela é uma tentação constante da fé. Consiste em divinizar o que não é Deus. Existe idolatria quando o homem presta honra e veneração a uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demônios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro etc.[...].

§1723 [...] a verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem-estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes, nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo bem e de todo amor.

A riqueza é o grande deus atual; a ela prestam homenagem instintiva a multidão e toda a massa dos homens. [...].

§2289 Se a moral apela para o respeito à vida corporal, não faz desta um valor absoluto, insurgindo-se contra uma concepção neopagã que tende a promover o culto do corpo, a tudo sacrificar-lhe, a idolatrar a perfeição física e o êxito esportivo. [...].

§2138 A superstição é um desvio do culto que rendemos ao verdadeiro Deus. Ela se mostra particularmente na idolatria, assim como nas diferentes formas de adivinhação e de magia.

§2097 [...] A adoração do Deus único liberta o homem de se fechar em si mesmo, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo. [...].

§2129 "Não farás para ti imagem esculpida de nada..." O mandamento divino incluía a proibição de toda representação de Deus por mão do homem. O Deuteronômio explica: "Uma vez que nenhuma forma vistes no dia em que Senhor vos falou no Horeb, do meio do fogo, não vos pervertais, fazendo para vós uma imagem esculpida em forma d ídolo..." (Dt 4,15-16). Eis aí o Deus absolutamente transcendente que se revelou a Israel. [...].

A idolatria está ligada ao coração do homem. Ele busca uma entidade superior, transcendente, para aplacar seus medos, seus sofrimentos. Os evangélicos não estão isentos de idolatria, quando supervalorizam símbolos ou experiências sobrenaturais, na maioria das vezes sem fazer um exame cuidadoso para saber em que está fundamentada a sua fé. Você já se pegou pensando que a oração do pastor é mais forte, que a oração feita em determinado local é mais poderosa? Tomemos cuidado, porque essas coisas podem ser sintomas de idolatria.

Os atenienses estavam afundados em diversos tipos de idolatria, e precisavam se converter ao Deus Desconhecido, que Paulo mais tarde apresentou como o Deus Verdadeiro, que criou os céus e a terra, e que vai julgar todos os homens de acordo com o evangelho. Que o Senhor nos dê sabedoria, e nos livre de nos entregarmos a qualquer tipo de idolatria.

Os atenienses se perdiam em meio à filosofia (17,18)

Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos; também na praça, todos os dias, entre os que se encontravam ali. E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição.

Segundo a Wikipédia[3], Epicurismo é um sistema filosófico originado por

Epicuro de Samos, filósofo ateniense do século IV a.C., [...] Sua filosofia é de cunho materialista, não havendo espaço para a imortalidade. O filósofo acreditava que o maior bem era a procura de prazeres moderados de forma a atingir um estado de tranquilidade [...]”. E o “estoicismo foi uma escola de filosofia helenística fundada em Atenas por Zenão de Cítio no início do século III a.C [...] os estoicos apresentaram sua filosofia como um modo de vida e pensavam que a melhor indicação da filosofia de um indivíduo não era o que uma pessoa diz, mas como essa pessoa se comporta.

A filosofia busca o conhecimento da verdade, mas se ela não considerar o que diz a Palavra de Deus, pode fazer com que as pessoas se percam em seus próprios pensamentos. Numa apostila de introdução à filosofia do site Administra Brasil[4], nós lemos o seguinte:

[...] em filosofia nenhuma verdade é definitiva, nenhuma posição é a última a ter, tiranicamente, pregnância sobre as demais. Não, quando pensamos em filosofia, há um universo de problemas ainda não respondidos que atravessam os tempos [...].

Se uma determinada linha filosófica afirma que nenhuma verdade é definitiva, ela não pode ser adotada por um cristão, pois Jesus disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (João 14.6). Portanto existe, sim, uma verdade definitiva, e essa verdade é encarnada no próprio filho de Deus.

A história mostra que é possível ser filósofo e ao mesmo tempo cristão, como o foram, por exemplo, Agostinho e Tomás de Aquino. O cristão não deve temer o conhecimento, apenas deve entender que o conhecimento deve ter um propósito, como tudo o que ele faz na vida, e que deve ser colocado diante do altar, como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, como um culto racional.

O conhecimento somente pelo conhecimento não é produtivo, pode inclusive tornar-se nocivo. Pessoas com grande conhecimento que, porém, não adotam princípios cristãos, tendem a ser muito arrogantes. A Bíblia alerta quanto a isso, e diz para evitarmos discussões inúteis. Podemos encontrar esse tipo de advertência em pelo menos cinco lugares na Bíblia:

1ª Timóteo 1.4 nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé.

1ª Timóteo 4.7 Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade.

2ª Timóteo 4.4 e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.

Tito 1.14 e não se ocupem com fábulas judaicas, nem com mandamentos de homens desviados da verdade.

2ª Pedro 1.16 Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade.

Paulo era um homem muito culto, e estava à altura dos filósofos para poder argumentar. Pedro achava Paulo meio complicado, como podemos perceber na sua exortação de 2ª Pedro 3.15,16:

[...] e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.

Mas, se um dia Paulo foi como aqueles filósofos que amavam o conhecimento só pelo conhecimento, ele chegou um dia a uma conclusão diferente, segundo seu testemunho em Filipenses 3.7,8:

Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo.

Falando mais ao povo convertido na cidade vizinha de Atenas (1ª Coríntios 1.20-31), Paulo relembra:

Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.  Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.  Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.

Mas não se deve pensar que o cristão tem que ser simplório, que deve evitar a filosofia, como se a busca do conhecimento fosse pecado, como se fosse comer do fruto proibido. Pelo contrário, a falta de uma análise profunda de nossa maneira de agir é que tem produzido grandes pecados. Em 1961, a filósofa Hannah Arendt participou do julgamento do nazista Adolf Eichmann, um burocrata que autorizava e controlava a deportação dos judeus para os campos de extermínio. Em sua fala[5], Hanna adverte que uma pessoa comum, que tem esposa e filhos, que cumpre fielmente sua rotina de trabalho com qualquer cidadão, é capaz de fazer atrocidades se não parar para pensar profundamente no que está fazendo:

[...] a atividade do pensamento é um guia constante para nossas ações e condutas. Pensar, dirá Arendt, não é simplesmente uma faculdade entre outras. Mas, pelo pensamento, somos capazes de compreender a necessidade de ponderação e constante vigilância sobre nossas atividades. Nesse sentido, a barbárie produzida pelo aparato burocrático de Hitler tem estreita vinculação a uma incapacidade de pensamento; experiência do isolamento e da fria distância do espaço comum, os homens que não pensam seriamente sobre sua realidade e sobre as potencialidades de suas ações podem mandar milhares de pessoas à morte com a mesma simplicidade que um funcionário “executa ordens”.

Será que os cristãos também podem ser assim? Sem pensar profundamente no que estão dizendo ou fazendo, será que eles podem ser instrumentos do diabo para afastar pessoas da igreja ou até mesmo da fé? Por outro lado, os cristãos também podem ser excessivamente racionais e intelectuais a ponto de perderem a sensibilidade do amor cristão. Essa falta de equilíbrio entre o saber e o não saber é um problema tão grande que todos devem estar em constante vigilância diante da advertência de Jesus em Marcos 9.42: “E quem fizer tropeçar a um destes pequeninos crentes, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado no mar”.

Os atenienses amavam o conhecimento, e isso não era ruim, porque as escolas de filosofia os faziam questionar a ética, a moral, e até mesmo a questão da idolatria. Mas estavam perdidos em meio à sua filosofia, e estava na hora de darem espaço para o sublime conhecimento do Deus Verdadeiro.

Os atenienses se perdiam em meio à ociosidade (19-21)

Então, tomando-o consigo, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas? Posto que nos trazes aos ouvidos coisas estranhas, queremos saber o que vem a ser isso. Pois todos os de Atenas e os estrangeiros residentes de outra coisa não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades.

A arqueologia nos revela uma curiosidade sobre as casas dos gregos, em geral. No livro de Brandini e Lorenzetti (2017)[6] chamado “A casa fala”, as autoras nos contam que os gregos:

[...] pouco valorizavam o luxo e a ostentação. Eram incapazes de considerar essas coisas como as mais importantes. Almejavam viver de maneira interessante e satisfatória, sem passar os dias trabalhando arduamente para obter mais conforto para a família, nem tinham interesse em acumular riquezas. Desejavam mesmo ter mais tempo livre para a política, as conversas nos mercados, as atividades intelectuais e artísticas. Essa forma de viver sem dúvida influenciou na arquitetura das cidades que valorizavam muito os espaços públicos, templos, mercados, teatros, banhos públicos, ginásios, estádios. Os espaços privados, como as residências, eram menos privilegiados, contando com espaços menores e muito simples. Comparadas com as de hoje, as casas eram pequenas e sem conforto.

Embora se possa argumentar que o conforto material não é tão importante quanto o enriquecimento espiritual, a Bíblia não nos incentiva a negligenciarmos o trabalho em prol, por exemplo, da melhoria de nossas moradias. Pelo contrário, Eclesiastes 10.18 critica uma atitude de relaxamento para com a nossa casa, dizendo que “Pela muita preguiça desaba o teto, e pela frouxidão das mãos goteja a casa”. Se as casas dos gregos estavam enfraquecidas e tinham pouco conforto, eles bem que podiam dedicar mais tempo para fazê-las melhor habitáveis, pensando nas mulheres e crianças que ficavam em casa, enquanto eles só se ocupavam de dizer e ouvir as últimas novidades.

Hoje também é muito fácil passarmos o dia inteiro nas redes sociais, perdendo um tempo precioso que deveria ser dedicado à produtividade. O tédio leva as pessoas de hoje a se tornarem viciadas em internet. Se você não tiver um propósito pelo qual se dedicar, cairá mais facilmente nessas armadilhas do diabo.

Devemos procurar ser úteis. Os poucos atenienses que se converteram com a pregação de Paulo certamente mudaram de vida. É bem provável que não ficavam mais apenas cuidando de dizer ou ouvir as últimas novidades, porque a vida de um cristão tem que ser diferente, pelo fato de ele ter um propósito maior para buscar. Quando falamos do propósito maior do cristão, não queremos dizer necessariamente evangelizar ou ser um missionário. Se o cristão cumpre bem o seu papel como cidadão, se ele é trabalhador e tem uma vida respeitável, também faz isso para Cristo. É uma parte importantíssima do seu propósito maior como cristão. Veja por exemplo a instrução que Paulo dá a Timóteo a respeito da assistência social às viúvas da igreja em 1ª Timóteo 5.11-15:

Mas rejeita viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo, querem casar-se, tornando-se condenáveis por anularem o seu primeiro compromisso. Além do mais, aprendem também a viver ociosas, andando de casa em casa; e não somente ociosas, mas ainda tagarelas e intrigantes, falando o que não devem. Quero, portanto, que as viúvas mais novas se casem, criem filhos, sejam boas donas de casa e não deem ao adversário ocasião favorável de maledicência. Pois, com efeito, já algumas se desviaram, seguindo a Satanás.

E não pensem que essa instrução vale apenas para as mulheres. Em 2ª Tessalonicenses 3.10,11 Paulo ordena: “se alguém não quer trabalhar, também não coma”. Porque tinha ouvido que alguns dentre eles estavam andando “desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs”. E em Colossenses 3.22-24 ele exorta:

Servos, obedecei em tudo ao vosso senhor segundo a carne, não servindo apenas sob vigilância, visando tão-somente agradar homens, mas em singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo”.

Mas os atenienses não tinham esse conhecimento, estavam perdidos em meio à ociosidade, e caminhavam para a morte eterna, sem Cristo.

Conclusão

Atenas era uma cidade muito rica, e tinha um valioso patrimônio cultural, mas ainda assim era pobre no sentido espiritual, porque ignorava o conhecimento de Cristo. Paulo fez pelo menos três constatações sobre a pobre situação dos atenienses que o motivaram a pregar numa praça de Atenas.

Primeira constatação: Os atenienses se perdiam em meio à idolatria

Segunda constatação: Os atenienses se perdiam em meio à filosofia

Terceira constatação: Os atenienses se perdiam em meio à ociosidade

Tomemos cuidado para não seguirmos o exemplo dos pobres atenienses. Fujamos da idolatria, sejamos equilibrados quanto à nossa filosofia, como diz 2ª Coríntios 10.5: “[...] levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo”, e não fiquemos ociosos, mas sejamos “sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1ª Coríntios 15.58).

Artigo elaborado por: Arildo Louzano da Silveira. São José do Rio Preto, fevereiro de 2022.

(*) Foto do cabeçalho disponível em: Acesso em https://www.infoescola.com/historia/grecia-antiga/exercicios/ Acesso em 11 fev. 2022.

(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ªed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280p

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[1] RORIZ, João Pedro. A mitologia grega no dia a dia das crianças. Site Educação Infantil, 30/01/2017. Disponível em: http://revistaeducacaoinfantil.com.br/a-mitologia-grega-no-dia-a-dia-das-criancas/ Acesso em 22 abr. 2018.

[2] Catecismo da igreja Católica – Índice analítico – 1.5 Idolatria/Ídolo. Disponível em: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/h/idolatria.html Acesso em 23 abr. 2018.

 [3] Disponível em: e em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo Acesso em 23 abr. 2018.

[4] Introdução à filosofia. Administra Brasil Cursos. P.29. Disponível  em: https://administrabrasil.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Introduc%CC%A7a%CC%83o-a%CC%80-Filosofia.pdf Acesso em 23 abr. 2018.

[5] Introdução à filosofia. Administra Brasil Cursos. P.33. Disponível em: https://administrabrasil.com.br/wp-content/uploads/2018/01/Introduc%CC%A7a%CC%83o-a%CC%80-Filosofia.pdf Acesso em 23 abr. 2018.

 [6] BRANDINI, Maria do Carmo; LORENZETTI, Yara. A casa fala: Uma relação de vida e amor. São Paulo: Scortecci, 2017.

 

 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Atitudes Nobres (Atos 17.1-15)

 

Antes da Semana Santa existe o tradicional Domingo de Ramos, onde se comemora a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Naquele dia histórico o povo tinha a impressão de que o Messias, o prometido de Deus finalmente chegara para libertá-los da escravidão e estabelecer o reino de Deus. O que eles não tinham entendido, porém, era que o reino de Jesus não era deste mundo. Os irmãos João e Tiago se adiantaram e pediram a Jesus para se assentarem ao seu lado no trono, e todos os discípulos mais próximos já discutiam entre si sobre quem deles era o maior, para possivelmente assumir o ministério mais nobre no reino que estava para se instalar.

É natural para nós que busquemos uma posição nobre na sociedade. É por isso que nos esforçamos tanto no trabalho e nos estudos, prestamos concursos, procuramos fazer boas amizades, especialmente com pessoas de grande influência. A nossa igreja está muito bem localizada num bairro nobre de Rio Preto, cercada de pessoas ricas e inteligentes, a maioria dessas pessoas lutou muito para conquistar e manter sua posição social. Em frente há uma faculdade, com milhares de estudantes que empenham grande esforço para aprenderem e assim crescerem na vida.

No texto em destaque podemos notar que Paulo encontrou muitas pessoas distintas, de alta posição, pessoas nobres, no seu ministério na Europa. A nobreza das pessoas nem sempre estava relacionada com sua posição social, mas sim com as suas atitudes. Vejamos as atitudes nobres que foram manifestadas pelas pessoas nessa fase da segunda viagem missionária de Paulo, enquanto passava por Tessalônica e Bereia.

Primeira atitude nobre: deixar-se persuadir pela exposição da verdade (1-4)

Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus. Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, arrazoou com eles acerca das Escrituras, expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos; e este, dizia ele, é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio. Alguns deles foram persuadidos e unidos a Paulo e Silas, bem como numerosa multidão de gregos piedosos e muitas distintas mulheres.

Paulo tinha uma estratégia bem definida para evangelizar. Ele procurava pessoas que estavam buscando o conhecimento de Deus, especialmente entre o povo judeu. Por isso eles tinham o costume de pregar, em primeiro lugar, numa sinagoga, nas cidades onde houvesse uma. Sua mensagem era persuasiva. Ele argumentava com muita eloquência, expondo as Escrituras, apontando para as profecias sobre o Cristo, que haviam sido cumpridas em Jesus. As sinagogas costumavam reunir muitas pessoas nobres, piedosas, que estavam ali buscando a verdade das Escrituras Sagradas, que sabiam que a vida não era só ganhar dinheiro, ter uma posição social privilegiada, mas que era necessário conhecer melhor o Criador, para adorá-lo em Espírito e em verdade.

Essa atitude nobre das pessoas piedosas de Tessalônica os levou a se deixarem persuadir pela pregação de Paulo, porque foram humildes o suficiente para reconhecerem que a exposição das Escrituras estava correta, que de fato Jesus só podia ser o Cristo, em quem se cumpriram as profecias, que diziam inclusive que ele iria padecer e ressuscitar dentre os mortos.

Será que nós somos nobres o suficiente para nos deixarmos persuadir pela exposição precisa e clara das Escrituras? Aceitaremos fazer mudanças em nossos pressupostos quando confrontados e colocados em xeque com a verdade da Palavra de Deus? Somente o Espírito Santo pode nos convencer do pecado, da justiça e do juízo, porque somos duros de coração. Que Deus nos dê a graça de nos deixarmos persuadir pela verdade das Escrituras, e assim ajustarmos nossos caminhos, abandonarmos nossos pecados, e seguirmos a Jesus, pelo caminho que ele nos tem proposto.

Werner Keller[1] fala na introdução de seu livro “E a Bíblia Tinha Razão”, que

Durante a coleta e o estudo do material, que de modo algum pretendo seja completo, ocorreu-me a ideia de que era tempo de os leitores da Bíblia e seus opositores, os crentes e os incrédulos participarem das emocionantes descobertas realizadas pela sóbria ciência de múltiplas disciplinas. Diante da enorme quantidade de resultados de pesquisas autênticos e seguros, convenci-me, apesar da opinião da crítica cética, de que desde o século do Iluminismo até nossos dias tentava diminuir o valor documentário da Bíblia, de que a Bíblia tinha razão!

Segunda atitude nobre: respeitar direitos (5-9)

Os judeus, porém, movidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, ajuntando a turba, alvoroçaram a cidade e, assaltando a casa de Jasom, procuravam trazê-los para o meio do povo. Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos perante as autoridades, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui, os quais Jasom hospedou. Todos estes procedem contra os decretos de César, afirmando ser Jesus outro rei. Tanto a multidão como as autoridades ficaram agitadas ao ouvirem estas palavras; contudo, soltaram Jasom e os mais, após terem recebido deles a fiança estipulada.

Os judeus que não foram nobres o bastante para se deixarem persuadir pela pregação de Paulo, se sentiram ameaçados em suas posições, e sabiam exatamente o que tinham que fazer para se defenderem. Não mediam esforços para reunir agitadores, que geralmente se encontravam entre os desocupados nos mercados, ávidos por abraçarem qualquer causa na qual pudessem tirar alguma vantagem. Eles reuniram uma multidão em protesto contra os missionários e chegaram a invadir a casa de Jasom, que os hospedava, e não encontrando Paulo e Silas, arrastaram Jason e alguns irmãos perante as autoridades, fazendo graves e falsas acusações.

Diferentemente do que aconteceu em Filipos, porém, as autoridades de Tessalônica foram nobres o suficiente para não se deixarem levar pela agitação. Jasom e os outros irmãos tinham o direito de se defenderem das graves acusações que lhes faziam. Devia ser seguido um processo legal antes de condenar ou absolver os cidadãos. A razão não é de quem grita mais alto, mas de quem fala a verdade. Por isso eles fizeram o que era direito. Estipularam uma fiança e libertaram os acusados até que em ocasião oportuna pudessem também apresentar suas alegações em sua defesa.

Os casos de julgamentos de corrupção que aconteceram numa história recente em nosso país às vezes nos deixaram impacientes. Quantos estavam impunes! Chegávamos a vibrar de alegria quando um corrupto poderoso ia para a cadeia, e ficávamos revoltados quando eles recebiam um Habeas Corpus e se livravam, pelo menos temporariamente, da prisão. Mas a lei tem que ser cumprida, e ela prevê direitos que devem ser respeitados.

Às vezes nós queremos fazer como os agitadores, e ganhar as demandas no grito, até mesmo nas pequenas coisas entre colegas de trabalho, entre os familiares, e até na igreja. Mas não é assim que deve ser. Precisamos respeitar os direitos de cada um e, mesmo quando não concordamos, ou que tenhamos que sair perdendo, o que é direito deve prevalecer.

Terceira atitude nobre: examinar as Escrituras (10-12)

E logo, durante a noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; ali chegados, dirigiram-se à sinagoga dos judeus. Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim. Com isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens.

Os bereanos se tornaram famosos no mundo inteiro, em todas as épocas, por causa dessa atitude nobre de examinar as Escrituras, conferindo a pregação de Paulo com o que diz a Bíblia. Com isso, muitas mulheres gregas, de alta posição, e não poucos homens, vieram a crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus, a quem deviam se entregar para serem salvos.

O pastor de nossa igreja costuma propor planos de leitura da Bíblia no começo de cada ano, para doze, seis ou três meses. Qual desses você escolheria? Eu não costumo adotar nenhum desses, pois normalmente já estou cumprindo outro programa, que não coincide com a data comemorativa do ano novo. Uma das primeiras resoluções que adotei quando me converti foi a de que era minha obrigação ler a Bíblia todos os dias, nem que fosse um versículo apenas. Confesso que poderia ter lido a Bíblia toda num número maior de vezes. Em mais de trinta e cinco anos de conversão, se eu lesse pelo menos uma vez por ano, teria lido a Bíblia 35 vezes. Mas eu tenho me esforçado. Tenho a consciência de que a leitura da Palavra de Deus deve ser constante e regular, assim como é a nossa alimentação física.

Essa atitude de nobreza, de examinar as Escrituras, deve ser incentivada em todas as igrejas, onde se prega a Palavra de Deus. Todos devem trazer suas Bíblias nos cultos e acompanharem em tempo real o que o pregador está dizendo, comparando o texto, para ver se, de fato, as coisas são assim. Mais do que isso, devemos nos antecipar, lendo as Escrituras em casa, diariamente, com um plano de leitura regular, para que estejamos sempre preparados para responder às situações do dia a dia, às pessoas que nos perguntam sobre a nossa fé, ou às pessoas que querem nos convencer de seus pontos de vista.

Quarta atitude nobre: enfrentar as perseguições por amor do evangelho (13-15)

Mas, logo que os judeus de Tessalônica souberam que a palavra de Deus era anunciada por Paulo também em Beréia, foram lá excitar e perturbar o povo. Então, os irmãos promoveram, sem detença, a partida de Paulo para os lados do mar. Porém Silas e Timóteo continuaram ali. Os responsáveis por Paulo levaram-no até Atenas e regressaram trazendo ordem a Silas e Timóteo para que, o mais depressa possível, fossem ter com ele.

Os judeus incrédulos não davam sossego. Foram atrás dos missionários em Bereia e começaram novamente a agitar o povo. Estava se formando o quadro do que já havia acontecido em Filipos, e iam acabar convencendo, no grito, as autoridades a açoitarem os pregadores e os lançarem na prisão, ou coisa pior. Então, acharam prudente afastar Paulo da tensão, enviando-o para os lados do mar. Silas e Timóteo, embora também estivessem sob ameaça, eram menos visados do que Paulo, por isso tiveram a atitude nobre de se arriscar, ficando um pouco mais, para instruírem mais os novos convertidos de Bereia, no lugar de Paulo que, por prudência, saíra de cena temporariamente.

Será que nós temos sido nobres o suficiente para nos expormos diante de todos, por amor de Cristo? Evangelizar envolve exposição, e quando estamos expostos diante dos outros, nossas fraquezas são postas à prova. O evangelho apela às pessoas para que se arrependam de seus pecados, e os pecadores não gostam de ser confrontados. A tendência é que reajam defensivamente, e não é raro que explorem nossas fraquezas ou nos ataquem com calúnias. Por isso, servir a Deus evangelizando e ensinando os preceitos das Escrituras é uma atitude tanto nobre quanto arriscada. É óbvio que devemos andar o mais limpos possível dos pecados, porque a primeira coisa que os adversários vão tentar fazer é apontar nossos erros.

Em Atos 19.13-17 vemos que os filhos de Ceva cometeram grande erro:

E alguns judeus, exorcistas ambulantes, tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre possessos de espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. Os que faziam isto eram sete filhos de um judeu chamado Ceva, sumo sacerdote. Mas o espírito maligno lhes respondeu: Conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois? E o possesso do espírito maligno saltou sobre eles, subjugando a todos, e, de tal modo prevaleceu contra eles, que, desnudos e feridos, fugiram daquela casa. Chegou este fato ao conhecimento de todos, assim judeus como gregos habitantes de Éfeso; veio temor sobre todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido.

Quando os sátrapas da Pérsia quiseram derrubar Daniel, primeiro procuraram achar na sua lei, algo de que o acusar, mas não acharam, por isso tiveram que criar uma lei sob medida para condená-lo: impedir a oração ao Deus verdadeiro. Quando prenderam Jesus, multiplicaram as falsas testemunhas, pois somente acusações falsas poderiam apresentar contra o perfeito Filho do Homem.

Conclusão

É natural que os discípulos de Jesus, depois da entrada triunfal, desejassem ocupar posições nobres no Reino, e que nós estejamos batalhando para conquistar bons lugares na sociedade. É natural que as pessoas dos bairros nobres como é o de nossa igreja gozem dos benefícios de sua nobreza, e que a faculdade, nossa vizinha de frente, promova a busca por status. Mas se nós quisermos ser considerados nobres, de fato, no Reino de Deus, precisamos aprender a ter atitudes como estas quatro que foram manifestadas pelas pessoas neste texto bíblico:

1 - deixar-se persuadir pela exposição da verdade (1-4)

2 - respeitar direitos (5-9)

3 - examinar as Escrituras (10-12)

4 - enfrentar as perseguições por amor do evangelho (13-15)

Artigo elaborado por: Arildo Louzano da Silveira. São José do Rio Preto, janeiro de 2022.

(*) Foto do cabeçalho disponível em: http://blogdopastorvaldemir.blogspot.com/2017/07/a-nobreza-da-igreja-bereana.html Acesso em 07 jan. 2022.

(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ªed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280p.

Artigos semelhantes a este estão disponíveis neste Blog ou nos livros que podem ser adquiridos através dos links abaixo:

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[1] KELLER, Werner. E a Bíblia tinha razão. São Paulo: Melhoramentos, 1964

terça-feira, 13 de julho de 2021

Virtudes como legado (Atos 16.35-40)

 

Se você soubesse que ia morrer repentinamente, o que deixaria de herança para as pessoas que ama? Muitos pais de família se preocupam em fazer um seguro de vida, em deixar um sólido patrimônio para seus dependentes. Se ele tiver muitos bens, convém que, antes de partir, deixe um legado, que é a declaração de sua última vontade no testamento. Alguns, porém, entendem que o maior legado que um pai pode deixar para os filhos é o seu exemplo de caráter ilibado.

Embora não estivesse para morrer, mas para deixar a cidade de Filipos, para prosseguir sua viagem missionária, Paulo se preocupou em deixar para eles um legado. Tendo cumprido bem sua missão em Filipos, já estava para partir. Antes, porém, precisava certificar-se de que deixara bem entendida a mensagem do evangelho, especialmente no que diz respeito ao caráter que o cristão deve manifestar perante a sociedade. Ele passou por várias tribulações em Filipos, mas sabia que a tribulação é uma grande oportunidade de dar testemunho do que Cristo opera em nós.

Por isso, em Filipos, Paulo teve a oportunidade de demonstrar algumas virtudes que testemunhavam a respeito do que Cristo opera naquele que crê no evangelho e se torna um servo do Senhor. As virtudes que Paulo demonstrou foram um verdadeiro legado para os filipenses, e também são exemplos para nós, nos dias atuais.

Dignidade (35-37)

Quando amanheceu, os pretores enviaram oficiais de justiça, com a seguinte ordem: Põe aqueles homens em liberdade. Então, o carcereiro comunicou a Paulo estas palavras: Os pretores ordenaram que fôsseis postos em liberdade. Agora, pois, saí e ide em paz. Paulo, porém, lhes replicou: Sem ter havido processo formal contra nós, nos açoitaram publicamente e nos recolheram ao cárcere, sendo nós cidadãos romanos; querem agora, às ocultas, lançar-nos fora? Não será assim; pelo contrário, venham eles e, pessoalmente, nos ponham em liberdade.

Paulo podia simplesmente ir embora, pois já recebera autorização. O carcereiro, que acabara de conhecer Paulo, talvez tivesse pensado no seu íntimo: “Esse apóstolo Paulo é mesmo um sujeito enjoado (encardido)! Ô homenzinho difícil!”. Fosse embora! Fosse em paz! Qualquer um, na situação dele, teria saído correndo.

Mas ele estava, na verdade, sendo guiado pelo Espírito Santo, e viu na situação uma oportunidade de fazer a diferença, de mostrar dignidade. Quem sabe se lembrou das palavras de Jesus:

Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus. (Mateus 5.13-16).

Num estudo sobre o tema Sal da Terra, o pastor Neto Curvina[1] faz o seguinte comentário:

[...] O sal altera (modifica) e melhora o gosto das coisas. O que é uma comida insossa? É aquela sem gosto. Experimente um feijão sem sal. Por mais bonito que ele seja. Que gosto terá? O de feijão. Mas é bom? Não, não é bom. É como o mundo. Ele é o que é, parece bom, até pode cheirar bem. Mas, colocado na boca, imediatamente denuncia que há algo errado. O resultado final é desagradável. Como sal a igreja faz da terra um lugar melhor. Eu tenho que fazer do mundo que me cerca um lugar melhor. [...] O sal, ao contrário do açúcar, não tem atrativo algum em si mesmo. Ele só funciona quando utilizado em função dos outros. Assim é o cristão. Jesus nunca diz que devemos ser doces. Doce atrai moscas, formigas, baratas… E o sal, o que atrai? O que é doce pode ser ingerido cru, sem problema, mas sal… Esse é o problema. Não queremos ser o sal da terra. Queremos ser o doce. Ser procurados, bem recebidos, elogiados.

Precisamos entender que a nossa vida com Cristo só faz sentido se pudermos cumprir pelo menos dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. E isso é feito quando falamos a verdade de Deus ao próximo. Quando não nos conformamos com esse mundo. Quando não nos rendemos aos ventos de doutrina.

Além de ser o sal da terra, o cristão precisa ser a luz do mundo, pois o mundo anda em trevas, em corrupção. Numa de suas entrevistas, a Ministra Carmen Lúcia[2], então presidente do Supremo Tribunal Federal, disse o seguinte:

“Ética é uma prática diária. É mais ou menos como você ter seus hábitos de higiene. É a higiene moral de uma nação. Nós somos um povo e, como povo, nós temos que nos conduzir segundo a ética [...]. Corrupção passiva e ativa devem ser combatidas, “inclusive os deslizes que são considerados pequenos”, como “furar fila, atravessar onde não pode, atravessar um jardim no meio e matar aquela grama”. “Toda forma de corrupção é maléfica, porque no mínimo ela é um mau exemplo para o filho, ela é um mau exemplo para o cidadão que vê que, em vez de ele contornar a praça e deixar o jardim bonito, ele está matando aquele canteiro”, concluiu.

Se todos os cristãos no Brasil andassem de modo digno do evangelho, acredito que o país seria uma nação feliz. Na carta que Paulo escreveu, depois, aos próprios filipenses (1.27-30), ele aborda o assunto da dignidade do crente:

Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;

Mas ele sabia que viver de modo digno não é fácil, por isso ele deu o exemplo, e na continuação deste trecho da carta aos filipenses ele ainda diz:

e que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é, para vós outros, de salvação, e isto da parte de Deus. Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é o meu.

Quando exigiu que os pretores fossem pedir desculpas e libertá-lo pessoalmente, Paulo demonstrou a todos que era um homem digno, preso injustamente, e esta lembrança de sua dignidade faria parte do seu legado deixado aos irmãos filipenses.

Moderação (38,39)

Os oficiais de justiça comunicaram isso aos pretores; e estes ficaram possuídos de temor, quando souberam que se tratava de cidadãos romanos. Então, foram ter com eles e lhes pediram desculpas; e, relaxando-lhes a prisão, rogaram que se retirassem da cidade.

Eis aí uma oportunidade de vingança! Paulo podia não ter deixado quieto, podia denunciar os pretores aos seus superiores, abrir um processo contra eles. Mas, assim como Paulo sabia que devia ser sal da terra, tinha a consciência de que o sal, para fazer bem, precisa ser moderado. Ele precisa dar sabor, temperar, mas não pode salgar em excesso. Foi suficiente os pretores terem ido lá e se humilhado, pedindo com rogos que Paulo e Silas se retirassem da cidade. O objetivo da disciplina já havia sido atingido. Agora era hora de mostrar misericórdia, perdão, moderação. Ele mesmo escreveu a Timóteo, mais tarde, alertando-o para o fato de que “Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2ª Timóteo 1.7). E aos próprios filipenses ele escreve também: “Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor (Filipenses 4.5)”.

O economista Samy Dana[3], em seu blog, fala de uma pesquisa feita pelo seu colega austríaco Ernst Fehr que abordou o problema do desejo de vingança. Diz assim o artigo:

[...] O estudo de Fehr mostrou que a maioria das pessoas que tinha a oportunidade de se vingar do seu parceiro egoísta tirava proveito dela. E enquanto tomavam estas decisões, os participantes estavam em um aparelho de tomografia, que revelou que na hora de decidir pela vingança, quem era acionado era o striatum, a parte do cérebro associada com recompensas. Ou seja: ao punir os outros, temos uma forte sensação de prazer [...]. Ainda que, racionalmente, faça mais sentido simplesmente ignorar o outro e bola para frente [...], muitas vezes, estamos dispostos a até gastar dinheiro, energia e tempo para criar uma vingança perfeita [...].

Para quem ama a Cristo, porém, há maior prazer em não se vingar, conforme Paulo, contando sua própria experiência em 2ª Coríntios 12.10: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte”.

Ao ter aceitado como suficiente o pedido pessoal de desculpas por parte dos pretores, Paulo demonstrou moderação, deixando a lembrança desta virtude como legado para os recém-convertidos filipenses.

Benevolência (40)

“Tendo-se retirado do cárcere, dirigiram-se para a casa de Lídia e, vendo os irmãos, os confortaram. Então, partiram”.

Parece contraditório o que diz o texto. Paulo e Silas foram açoitados e presos sem terem nenhuma culpa, suas costas ainda estavam feridas, certamente muito doloridas, e tinham sofrido tudo isso somente por fazerem o que Deus mandou: pregar o evangelho. Tinham todos os motivos para estarem abatidos, desanimados, temerosos das demais ameaças que os rondavam nesse ministério. Eles é que precisavam receber palavras de incentivo, de ânimo, de conforto. Mas em vez disso, o que lemos no versículo 40 é que eles se dirigiram para a casa de Lídia e confortaram os irmãos. O Espírito Santo colocou em seus corações amor suficiente para esquecerem suas próprias dores, e pensarem no bem-estar dos recém-convertidos, novatos na fé, que deviam estar alarmados e grandemente preocupados com o que acontecera aos apóstolos, com a perseguição que sofreram.

Uma pesquisa da ONU, divulgada em 2010, revela que o brasileiro, de um modo geral, tem a tendência de ser benevolente. Uma notícia no site do Bom dia Brasil[4], em 2010, diz o seguinte:

A ONU perguntou para os brasileiros: "O que precisa mudar no país para sua vida melhorar?". Meio milhão respondeu que são os valores. A partir desse retorno da população - que surpreendeu os pesquisadores - o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com o Ibope e com o programa de voluntários das Nações Unidas, foi a campo descobrir quais são esses valores [...]. O brasileiro deu maior nota e provou que preza mais o valor da benevolência e da solidariedade [...]. Pode-se dizer que os brasileiros se percebem valorizando em primeiro lugar o bem-estar das pessoas que são próximas, com quem convivem, e mantêm algum laço afetivo, acreditando que é importante ajudá-las.

Que bom que o brasileiro pensa assim! Porém a prática pode ser diferente da percepção, pois existe grande distância entre pensar de um modo e agir desse mesmo modo.

Um artigo no Infomoney[5] revela que:

O Brasil e a Venezuela disputam o título de país mais egoísta da América do Sul. Ambas as nações estão na 91ª posição do ranking World Giving Index de 2013, divulgado pelo instituto CAF (Charities Aid Foundation), que mede a generosidade dos países. De acordo com o levantamento, durante o ano de 2013, somente 42% dos brasileiros ajudaram um desconhecido, 23% doaram dinheiro para caridade e 13% fizeram algum tipo de trabalho voluntário. Dentre as 155 mil pessoas de 135 países que foram entrevistadas, os norte-americanos foram os mais generosos, seguidos pelos canadenses. Já a Grécia decepcionou por ser o país mais egoísta.

É bem provável que estas pesquisas não representem fielmente a realidade de cada um de nós, mas de uma coisa podemos ter certeza: para praticar, de fato, a benevolência, esquecer suas próprias dores e agir para o bem-estar do próximo, é preciso a capacitação do Espírito Santo, naqueles em quem manifesta o seu fruto, que é “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5.22).

Ao esquecer-se de suas próprias dores e preocupar-se em confortar os outros, Paulo demonstrou a virtude da benevolência, e esta lembrança certamente fez parte do seu legado.

Conclusão

Assim aprendemos que Paulo, antes de partir, deixou um legado para os filipenses, do qual fazem parte as virtudes:

a)   A dignidade, porque fez questão de obrigar os pretores a retirá-los pessoalmente da prisão, mostrando que eram dignos de respeito, que eram cidadãos romanos, cientes e cumpridores dos seus deveres, e não podiam ter sido tratados daquela maneira pelas autoridades.

b)  A moderação, porque, apesar de terem submetido os pretores à humilhação de terem que ir lá e lhes pedir desculpas, não levaram o caso adiante por vingança, mas saíram em paz e deixaram de lado essa questão, pois o propósito de terem exigido respeito das autoridades já havia se cumprido.

c)   A benevolência, porque em vez de ficarem se condoendo e se lamentando por causa das coisas sofridas, esqueceram sua própria dor e pensaram no bem-estar dos novos discípulos, e foram confortá-los para que não temessem as ameaças de quem quer que seja, para se dedicarem com coragem à sua nova vida com Cristo.

Que legado você pretende deixar para as pessoas com quem convive? Como você quer ser lembrado, quando tiver que partir? Podemos seguir o exemplo de Paulo, assim como ele seguia o exemplo de Cristo. Que possamos demonstrar, em nossas relações pessoais, as virtudes da Dignidade, da Moderação e da Benevolência.

 

Artigo elaborado por: Arildo Louzano da Silveira. São José do Rio Preto, julho de 2021.

(*) Foto do cabeçalho disponível em: https://www.ibccoaching.com.br/portal/motivacao-pessoal/qual-legado-voce-pretende-deixar-para-seus-filhos/ Acesso em 13 jul. 2021.

(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ªed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280p.

[1] CURVINA NETO, Milton. O Sal da Terra. Site Gospel Mais/Estudos Bíblicos, 11 nov. 2015. Disponível em: https://estudos.gospelmais.com.br/o-sal-da-terra.html Acesso em 23 mar. 2018.

[2] “Corrupção é erva daninha”, diz Cármen Lúcia. Jovem Pan Online/Programas/Jornal da Manhã, 23/03/2018. Disponível em: http://jovempan.uol.com.br/programas/jornal-da-manha/corrupcao-e-erva-daninha-diz-carmen-lucia.html Acesso em 23 mar. 2018.

[3] DANA, Samy; SANDLER, Carolina Ruhman.  Economistas explicam o desejo de vingança. G1/Economia, 06/02/2016. Disponível em: http://g1.globo.com/economia/blog/samy-dana/post/economistas-explicam-o-desejo-de-vinganca.html Acesso em 25 mar. 2018.

[4] Brasileiros se preocupam com bem-estar dos próximos. Bom dia Brasil online, 25/05/2010. Disponível em: http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2010/05/brasileiros-se-preocupam-com-bem-estar-dos-proximos.html Acesso em 25 mar. 2018.

[5] Brasil é o país mais egoísta da América do Sul. Infomoney, 05/12/2013. Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/infomoney/2013/12/05/brasil-e-o-pais-mais-egoista-da-america-do-sul.htm Acesso em 13 jul. 2021.


sábado, 3 de julho de 2021

Que devo fazer para que seja salvo? (Atos 16.25-34)

Atualmente, sobre quase tudo o que queremos aprender, podemos encontrar muitas e boas informações na rede mundial de computadores. Desde como fazer um bolo até como consertar os mais complicados aparelhos eletrônicos, os vídeos, imagens e textos postados por cidadãos comuns, que se propõe a ensinar o que aprenderam, estão de portas abertas para nos ensinar.

No tempo de Paulo não tinha estes recursos, e um competente carcereiro estava carregando em seu coração, é bem provável que há muito tempo, uma grande dúvida que, embora a buscasse avidamente, ainda não encontrara resposta consistente: “Que devo fazer para que seja salvo?” Ele parecia, em vez de carcereiro, um prisioneiro em suas próprias emoções, prestes mesmo a atentar contra sua própria vida, num momento de grande crise. Mas quando a graça de Deus o alcançou, ele viu, finalmente, as portas se abrindo. Vejamos, neste texto bíblico, quais foram estas portas que se abriram para o carcereiro, para o libertar da angústia de sua alma.

As portas do cárcere (25-28)

Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus, e os demais companheiros de prisão escutavam. De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos. O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas do cárcere, puxando da espada, ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido. Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos!

Estas portas sendo abertas, à primeira vista, não parecia ser motivo de bênção, mas de maldição, para o carcereiro. Quando o milagroso terremoto sacudiu os alicerces e abriu as portas da prisão de que era responsável, ele achou que seu mundo tinha caído e, portanto, só lhe restava a morte.

Talvez outros presos tivessem reclamado com Paulo, por não ter ficado quieto e deixado o carcereiro se matar, para então poderem fugir. Mas Paulo e Silas, que há poucos instantes estavam orando e cantando louvores, em meio à dor dos açoites e à humilhação da prisão, logo souberam que este acontecimento vinha da parte de Deus, que estava fazendo um milagre para a salvação de muitas almas, e isto não era ocasião de buscarem vantagens pessoais.

Assim como hoje há muitas corporações que têm seus representantes cristãos, como Atletas de Cristo, PMs de Cristo, Motociclistas de Cristo, Paulo se colocou naquele momento como um verdadeiro “Prisioneiro de Cristo”. Ele se declarou assim, na carta aos efésios: “[...] por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios” (Efésios 3.1).

Para Paulo, até as prisões que sofreu eram encaradas como oportunidades para testemunhar, e assim declarou, em carta a Timóteo, seu amor a Cristo e ao evangelho, pelo qual sofria até algemas, como malfeitor, que, “[...] contudo, a palavra de Deus não está algemada” (2ª Timóteo 2.9), e era possível gerar filhos espirituais entre algemas, a exemplo de Onésimo (Filemon 1.10).

Muitas pessoas acham que são livres para praticar todo tipo de abominações, mas são, na verdade, prisioneiros do pecado. Para estes, as portas do cárcere somente se abrirão no momento de comparecerem perante o Juiz e receberem a condenação eterna, junto com os “anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio” que Deus “tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia” (Judas 1.6).

Quando as portas da prisão se abriram, frustrando o seu competente trabalho de guardar os prisioneiros, o carcereiro pensou que era o seu fim, mas não. Era apenas o começo de sua libertação.

As portas da salvação (29-31)

Então, o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou precipitadamente e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores, que devo fazer para que seja salvo? Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa.

Eles bem que podiam fugir, mas estavam tão sintonizados com o Espírito Santo que perceberam que as portas estavam abertas, não para que eles saíssem, mas sim para que o carcereiro entrasse. Naquele momento, para ele, elas eram as portas da salvação.

Era uma hora apropriada para Paulo e Silas utilizarem as chaves mencionadas em Mateus 16.19, quando Jesus disse a Pedro: “dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus”. Era a hora de apresentarem Jesus, que afirmou em João 10.7: “Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas”; e em João 10.9: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem”.

As portas da casa do carcereiro (32-34)

E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus. Então, levando-os para a sua própria casa, lhes pôs a mesa; e, com todos os seus, manifestava grande alegria, por terem crido em Deus.

O milagre daquela noite foi tão excepcional que, agora, até as portas da casa do carcereiro se abriram para os apóstolos e, em consequência, para Cristo, pois ele disse que,

Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo. E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão (Mateus 10.40,42).

Desde o começo, os lares cristãos têm sido locais de reuniões, de hospitalidade e de promoção do evangelho. Durante o ministério terreno de Jesus, muitos lares o acolheram, como o de Pedro, (cuja sogra foi curada), de Marta e Maria, de Zaqueu, de Levi. Temos notícias de igrejas que se reuniam nas casas de Áquila e Priscila (1ª Coríntios 16.19), Ninfa (Colossenses 4.15), Filemon (1.2), João Marcos (Atos 12.12), e sabemos que era comum eles se reunirem de casa em casa para partir o pão.

Os templos são confortáveis, abrigam maior número, mas não têm o aconchego, a intimidade e o alcance que só os lares podem prover. Por isto é tão importante abrirmos nossas portas para receber os irmãos. Mais importante, porém, é manter nosso lar sempre apto a receber o próprio Senhor Jesus, na pessoa do Espírito Santo. Nada que seja incompatível com a santidade de Deus deve permanecer em nossos lares cristãos.

Conclusão

O que devo fazer para que seja salvo? Esta é uma pergunta que muitos se fazem, ainda hoje, e procuram uma porta aberta para que possam entrar na bem-aventurança.

As portas do cárcere abertas, a princípio, representavam ao carcereiro motivo de frustração e desespero, a ponto de tentar o suicídio. Mas no final ele viu que foi uma bênção, pois as portas da salvação lhe foram abertas através disso, quando lançou a pergunta e recebeu a resposta: “Crê no Senhor Jesus [...]”. E, crendo ele, abriu as portas de sua própria casa para o evangelho entrar.

 

Artigo elaborado por: Arildo Louzano da Silveira. São José do Rio Preto, julho de 2021.

(*) Foto do cabeçalho disponível em: https://www.pcamaral.com.br/2012/06/confessei-te-o-meu-pecado-e-minha.html Acesso em 03 jul. 2021.

(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ªed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280p.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Ameaçados (Atos 16.16-24)

 


A apresentação do abismo ligado é um método de evangelização que consiste em conscientizar a pessoa de que está separada do amor de Deus e da salvação, e que precisa fazer uma decisão de crer em Jesus, ato simbolizado pela travessia de uma ponte formada pela cruz de Cristo. O ponto mais tenso da apresentação é o momento da decisão. Até ali as pessoas podem ouvir com muita atenção e prazer, mas quando se sentem pressionadas pelo desafio de “atravessar a ponte”, muitas recuam, porque se sentem, de certa forma, ameaçadas.

É com um sentimento semelhante, envolvendo medo e ressentimento, que Paulo e os demais missionários foram tratados na cidade de Filipos, conforme Atos 16.16-24. As pessoas rejeitaram o evangelho porque o acharam ameaçador. Comparando este parágrafo bíblico com a nossa realidade, podemos notar que, ao serem evangelizadas, há pelo menos três ameaças sentidas pelas pessoas, que as fazem rejeitar o evangelho.

Ameaça ao lucro (16-19)

Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação. Isto se repetia por muitos dias. Então, Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, eu te mando: retira-te dela. E ele, na mesma hora, saiu. Vendo os seus senhores que se lhes desfizera a esperança do lucro, agarrando em Paulo e Silas, os arrastaram para a praça, à presença das autoridades;

A jovem escrava filipense tinha um dom que é o sonho de consumo dos grandes operadores do mercado financeiro em nossos dias, já que era portadora de informações superprivilegiadas. Ao incomodar o apóstolo Paulo, contudo, este acabou revelando que o dom da moça era de natureza maligna, expulsando o espírito que a possuía, levando as autoridades, até então tolerantes, a identificarem os missionários como uma grande ameaça à economia local, já que, num só golpe, desfizeram a esperança do lucro dos que exploravam a pobre adivinhadora endemoninhada.

O propósito de obter lucro, em si, não é uma coisa má. O dinheiro não é a raiz de todos os males, mas sim o amor ao dinheiro, a falta de escrúpulos, a ganância. É possível e desejável que o enriquecimento aconteça por meios honestos, sem a necessidade de opressão aos mais fracos.

Um artigo do site Globo Ação[1] divulga que

Muitos empreendedores descobriram que os ganhos de uma empresa podem ser redirecionados também para a conquista do bem-estar social de uma determinada comunidade. A mistura de geração de renda com sustentabilidade é o chamado negócio social, termo cunhado pelo economista e professor Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz de 2006”.

Peter Ferdinand Drucker[2], considerado como o pai da administração moderna, disse que

Uma empresa que visa o lucro é, não apenas falsa, mas também irrelevante. O lucro não é a causa da empresa, mas sua validação. Se quisermos saber o que é uma empresa, devemos partir de sua finalidade, que será encontrada fora da própria empresa. E essa finalidade é criar um cliente.

O lucro financeiro não pode ser encarado como uma razão de viver, como bem lembra Augusto Cury[3], ao afirmar que

Fazer coisas fora da agenda é fazer coisas inesperadas, romper a rotina, quebrar a mesmice. É nutrir sua história com aventura. É ser um caminhante nas trajetórias do próprio ser. É gastar tempo com aquilo que lhe dá lucro emocional e não financeiro. É ter um caso de amor com a vida.

Mas o cristão, que deveria ser um exemplo de desapego às coisas do mundo, às vezes tem uma atitude contrária aos princípios do evangelho, conforme 1ª Timóteo 6.3-12:

Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas.

Estas são sérias advertências, pois a busca do lucro a qualquer custo pode afastar a pessoa da piedade e do verdadeiro evangelho, encarando-o simplesmente como uma ameaça ao seu lucro.

Ameaça à tradição (20-21)

“[...] e, levando-os aos pretores, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbam a nossa cidade, propagando costumes que não podemos receber, nem praticar, porque somos romanos”.

As autoridades de Filipos apresentaram como argumento, para deter os evangelistas, que eles propagavam costumes contrários à sua tradição. O medo e o ressentimento por sentir que o evangelho ameaça a sua tradição pode afastar as pessoas da decisão de seguirem a Cristo. Este pode ser o caso que acontece em lugares como o Nepal, segundo o site Guia-me[4], o qual informou, em 2017, que

O presidente do Nepal assinou um projeto de lei que efetivamente proíbe a evangelização, a conversão religiosa e o ato de "ferir o sentimento religioso" - norma que inclui a proibição ao trabalho de missionários cristãos no país. [...] Quem for condenado de acordo com a nova lei - incluindo visitantes estrangeiros - pode ser condenada a até cinco anos de prisão por "tentar converter uma pessoa" ou "prejudicar a religião, fé ou crença de que qualquer casta, grupo étnico ou comunidade".

Aqui no Brasil, também, o evangelho pode ser afetado por este fenômeno, quando as pessoas o rejeitam por se sentirem ameaçadas em suas tradições. Temos aqui muitas comunidades indígenas, judaicas, muçulmanas, além de ideologias, as mais diversas.

Quando alguém se converte, crendo no evangelho de Jesus Cristo, é natural que comece a questionar algumas tradições que antes seguia. Afinal, ele se torna uma “nova criatura”, para a qual as “coisas antigas já passaram”, e “se fizeram novas” (2ª Coríntios 5.17). Mas não é necessário que o novo convertido rejeite completamente as suas tradições e, em muitos casos, ele acaba fazendo somente alguns ajustes.

As festividades do solstício do inverno (ou do verão, no hemisfério sul), por exemplo, poderiam continuar acontecendo, mas agora com uma motivação diferente, celebrando o nascimento de Jesus Cristo (ainda que saibamos que esta provavelmente não é a sua verdadeira data natalícia).

Já as festividades do solstício do verão (ou do inverno, no hemisfério sul), ideais para comemorar o nascimento de João Batista que, segundo o relato bíblico, nasceu seis meses antes do Salvador, são aproveitadas principalmente pelos cristãos católicos. Entre os evangélicos, porém, há resistência em participar das festas juninas, pelo que algumas igrejas decidiram inovar, criando a festa de “Sem João”, de acordo com um artigo no site da UOL[5]:

Santo Antônio, São João e São Pedro. As festas juninas estão entre as celebrações mais populares do país, mas contêm o elemento religioso, do catolicismo, que costumava afastar evangélicos das comemorações. Há ainda elementos de festa pagã --os cultos solares, que já aconteciam na Antiguidade nos dias de solstício de verão no hemisfério Norte-- e sincretismos religiosos --é o início do ano agrícola para os indígenas brasileiros, que cultivavam o milho, um dos principais integrantes da mesa junina-- abominados pelas igrejas evangélicas. O fim dessa resistência, no entanto, foi ensaiado e já é praticado em comunidades evangélicas do Nordeste ao Sul, sem no entanto elementos que remetam ao que os adeptos desaprovam. As fogueiras, por exemplo, nem sempre são acesas. Os santos não existem (a Festa de São João virou a de “Sem João, com Cristo”) e as bebidas não incluem álcool. O quentão (cachaça fervida com gengibre) virou o “crentão” (algum suco fervido com gengibre). Há até o vinho crente, feito com suco de uva.

A Bíblia nos ensina, em: 1ª Tessalonicenses 5.21: “julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Portanto, não há motivo para os cristãos não reterem o que é bom nas tradições que herdaram de seus antepassados.

Ameaça ao status. (22-24)

Levantou-se a multidão, unida contra eles, e os pretores, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com varas. E, depois de lhes darem muitos açoites, os lançaram no cárcere, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança. Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e lhes prendeu os pés no tronco.

Os donos da escrava adivinhadora usaram uma estratégia de acusação que comoveu o povo e fez os pretores mandarem açoitar os missionários, provavelmente por medo de perderem seu status perante a multidão, e, consequentemente, perante o imperador. Sua situação lembra a de Pilatos, quando teve que julgar Jesus e, mesmo considerando-justo, o condenou por medo da acusação da multidão em João 19.12 “[...] se soltas a este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei é contra César!”.

O carcereiro de Filipos também achava que seu status e sua segurança dependiam do seu zelo, por isso prendeu Paulo e Silas no mais interior do cárcere, e ainda os acorrentou os pés ao tronco. Mas essa impressão de segurança foi perdida ao ver que Deus abrira todas as portas e soltara todas as correntes. Foi então que conheceu a verdadeira segurança quando, finalmente, creu em Jesus.

O evangelista indiano Sundar Singh nasceu em 03 set. de 1889, era filho do governador e sardar (chefe) Sher Singh, no Estado Sik de Patiala, no distrito de Rampur. Ele se converteu em 18 dezembro 1904. De acordo com a Wikipedia[6],

[...] Ele viajou por toda a Índia vestindo um roupão amarelo sem comida e sem qualquer residência permanente. Ele viveu somente da caridade de outras pessoas. [...] Em 1906, ele foi ao Tibet, pela primeira vez em sua vida. Esse país o atraiu, principalmente por causa da grande resistência contra o evangelismo. Sundar visitava o Tibet a cada verão. Em 1929, ele visitou o país novamente e nunca mais foi visto desde então. Sundar manifesta em sua vida o versículo escrito em Marcos 8:35 que diz: "Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, mas quem perder a vida para mim e para o Evangelho vai salvá-la.".

No livro “O Apóstolo dos pés sangrentos”, Boanerges Ribeiro[7] conta que, após sua conversão,

O ambiente familiar tornava-se cada dia mais carregado. Afinal, Sher Singh resolveu enfrentar a situação e procurou o filho. Expôs-lhe seus aborrecimentos. Se Sundar continuasse obstinado no seu cristianismo, ele acabaria perdendo o respeito do Distrito. Afinal, era sardar, e se em sua própria casa se manifestava a apostasia, com que autoridade imporia ao povo acatamento aos princípios e costumes siks? Não somente ele, mas toda a família já sofria a teima de Sundar. Pois então ele não podia dirigir seu fervor religioso para outro lado, se lhe era mesmo impossível abandonar esse fanatismo que manifestava desde a infância? Não viviam tão bem com a religião de seus antepassados? Para que, agora, esse estranho capricho? O cristianismo era a religião de estrangeiros – dos estrangeiros que oprimiam a Índia. Falava com calma e gravidade, como se o filho menor fosse um adulto que lhe merecesse todo o respeito e consideração. E quando o moço respondeu, com firmeza, que não se tratava de mania nova, mas de uma realidade que o dominava e à qual consagraria a vida, fez a derradeira tentativa: bem, pois que se fizesse cristão, se isto lhe agradava. Mas o pai lhe pedia ao menos um obséquio: não lhe enxovalhasse o nome pregando a torto e a direito que tinha nova religião. Seguisse a Cristo em silêncio, em casa. Que necessidade havia de lançar publicamente lama sobre o nome honrado da família? (p.13).

Podemos ver na fala do pai de Sundar a sua preocupação com seu status, sua segurança, sua estabilidade. Por outro lado, Sundar encontrou tudo isto em Cristo, que é “[...] poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia” (2ª Timóteo 1.12).

Conclusão

Imagine-se à beira do abismo, prestes a dar o primeiro passo e atravessar aquela ponte que vai levá-lo, com segurança, ao lado onde vai se encontrar com Deus, abandonando tudo o que este mundo oferece de maneira ilusória. A sua travessia representa a sua salvação, já que este mundo “jaz no maligno” (1ª João 5.19). Mas esta travessia lhe parece uma ameaça, seja em termos de lucro, de tradição ou de status. Atravessar ou não a ponte sobre o abismo que o separa de Deus é uma questão de fé em Jesus Cristo, o Salvador morto na cruz, por nossos pecados, sepultado, e ressuscitado no terceiro dia, segundo as Escrituras.

Mas, se argumentos racionais ajudarem, considere que o dinheiro não traz a felicidade. A verdadeira felicidade está em Jesus. Isaías 55.2-6 diz:

Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares.  Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi. Eis que eu o dei por testemunho aos povos, como príncipe e governador dos povos. Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca te conheceu correrá para junto de ti, por amor do SENHOR, teu Deus, e do Santo de Israel, porque este te glorificou. Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.

A tradição só é importante na medida em que serve a um bom propósito. Ela não pode se sobrepor aos mandamentos de Deus. Jesus advertiu os fariseus por essa causa, em Mateus 15.3 “[...] Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição?”

O melhor status, a verdadeira segurança, está em Jesus. Provérbios 1.32,33 diz que “Os néscios são mortos por seu desvio, e aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição. Mas o que me der ouvidos habitará seguro, tranquilo e sem temor do mal”.

O evangelho do Senhor Jesus Cristo não é uma ameaça, mas sim uma bênção eterna.

Artigo elaborado por: Arildo Louzano da Silveira. São José do Rio Preto, abril de 2021.

(*) Foto do cabeçalho disponível em: อยากทราบว่ากรรมอะไรที่ทำให้ต้องฆ่าตัวตาย | พลังจิต (palungjit.org) Acesso em. 26 abr. 2021.

(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ªed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280p.

[1] Empresas não buscam apenas lucro, mas também o bem-estar social. Site da Globo Ação, 17/11/2012. Disponível em: http://redeglobo.globo.com/acao/noticia/2012/11/empresas-nao-buscam-apenas-o-lucro-mas-tambem-o-bem-estar-social.html Acesso em 18 fev. 2018.

[2] Disponível em: https://kdfrases.com/frase/164307 Acesso em 18 fev. 2018.

[3] CURY, Augusto Jorge. Dez leis para ser feliz: Ferramentas para se apaixonar pela vida. Rio de Janeiro: Sextante, 2003, p. 18.

[4] Cristãos são proibidos de evangelizar, após aprovação de nova lei no Nepal. Fonte: Guiame, com informações do God Reports, nov. 2017. Disponível em: https://guiame.com.br/gospel/missoes-acao-social/cristaos-sao-proibidos-de-evangelizar-apos-aprovacao-de-nova-lei-no-nepal.html Acesso em 18 fev. 2018.

[5] SILVA, Marcos Sergio. Festa "sem João" evangélica adapta a junina com música gospel e "crentão" sem álcool. UOL/Cotidiano, 23/06/2027. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/06/23/festa-sem-joao-evangelica-adapta-a-junina-com-musica-gospel-e-crentao-sem-alcool.htm Acesso em 25 abr. 2021.

[6] Sadhu Sundar Singh. Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Sadhu_Sundar_Singh Acesso em 18 fev. 2018.

[7] RIBEIRO, Boanerges. O Apóstolo dos pés sangrentos. São Paulo: CPAD, 1988.