quinta-feira, 8 de outubro de 2020

O batismo de João (Atos 13.23-26)

 


Em continuação à sua pregação na sinagoga em Antioquia, Paulo menciona o batismo pregado por João Batista, que preparava a vinda do Senhor. Esse “batismo” foi um reavivamento que surgiu em meio à situação de inércia reinante sob o ministério dos fariseus. Sua mensagem foi como água em terra seca, pois o povo estava em grande necessidade. Mas a expectativa do povo devia ser corrigida, pois esperava um livramento literal, não transcendental. O propósito de Deus era renová-los através do arrependimento, de uma mudança de postura de adoração, de uma perspectiva certa com relação à salvação que Deus trouxe através do Senhor Jesus. Podemos dizer que a mensagem contida no batismo de João, conforme lembrada neste discurso de Paulo, trazia pelo menos três apelos.

Primeiro apelo: ajustar a conduta através do arrependimento (23,24)

“Da descendência deste, conforme a promessa, trouxe Deus a Israel o Salvador, que é Jesus, havendo João, primeiro, pregado a todo o povo de Israel, antes da manifestação dele, batismo de arrependimento”.

Para ser salvo, um dos requisitos necessários é se arrepender. O arrependimento, a conversão, a fé, são sintomas que acompanham a salvação de um pecador a quem Jesus remiu da perdição. Mas, mesmo que estejamos remidos, livres da condenação eterna, ainda somos chamados ao arrependimento.

Somos sensibilizados por nossa própria consciência quando fazemos coisas que desagradam a Deus. Nos arrependemos por não termos ido à igreja, por não termos convidado o vizinho para o culto, por não termos evangelizado, por não termos lido a Bíblia, por não termos orado, por termos comido demais.

Mas, apesar do arrependimento eventual, continuamos fazendo coisas das quais iremos nos arrepender. Somos como aquele irmão que peca sete vezes todos os dias, e sete vezes se arrepende (Lucas 17.4). Jesus vai nos perdoar? Sim. E se eu pecar setenta vezes sete? Bom, sempre podemos apelar para Mateus 18.21, 22: “[...] Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. Jesus é, com certeza, mais misericordioso do que irmão que perdoa.

Muito se tem falado nos púlpitos sobre a necessidade de arrependimento, de santidade, de abandonar o pecado. O pregador mostra sua indignação e irritação contra a igreja, porque não tem sido obediente. E se a igreja fizesse um acordo com o pastor? Poderia dizer:

 “Tudo bem, pastor, então vamos fazer um acordo. Quantas horas o senhor quer que oremos por dia? Quantas horas de leitura da Bíblia? Posso ver televisão alguns minutos? Quantos minutos? E celular, pode um pouquinho? Vamos lá. Vamos anotar em nossa cadernetinha...”

Será que o pastor ficaria contente? Não ficaria. Se a igreja decidisse orar e ler a Bíblia 24 horas por dia, isso ainda não seria o sinal de um arrependimento genuíno. As pessoas precisam continuar vivendo, e ajustando sua conduta através de um arrependimento latente, vigilante, sempre presente, enquanto o pecado estiver diante de nós, “à porta”, como diz em Gênesis 4.7.

Segundo apelo: ajustar a postura através da correta adoração (25)

“Mas, ao completar João a sua carreira, dizia: Não sou quem supondes; mas após mim vem aquele de cujos pés não sou digno de desatar as sandálias”.

Ao contrário da postura demonstrada por João Batista, hoje corremos o risco de permitir que a nossa adoração seja dominada pelo humanismo, de deixarmos que a autoestima prevaleça, em vez da humilhação perante o Santo Deus.

Para fins de ilustração, vamos confrontar um trecho da música Raridade, um grande sucesso no meio gospel, com Isaías 13.11,12, que mencionam o famoso “ouro puro de Ofir”, mas sob perspectivas diferentes:

[...] Você é um espelho que reflete a imagem do Senhor

Não chore se o mundo ainda não notou

Já é o bastante Deus reconhecer o seu valor

Você é precioso, mais raro que o ouro puro de Ofir [...]

(Música Raridade, Anderson Freire)

Isaías, por sua vez, profetiza:

Castigarei o mundo por causa da sua maldade e os perversos, por causa da sua iniquidade; farei cessar a arrogância dos atrevidos e abaterei a soberba dos violentos. Farei que os homens sejam mais escassos do que o ouro puro, mais raros do que o ouro de Ofir (Isaías 13.11,12).

Podemos notar, nos contextos, que Isaías é muito mais pessimista, com relação aos homens de valor, do que nosso irmão Anderson Freire. É verdade, claro, que Deus nos tem valorizado, nos amando tanto a ponto de dar seu único filho, Jesus Cristo, como sacrifício pelos nossos pecados. Ele mesmo, o Senhor Jesus, dá uma maravilhosa palavra de ânimo àqueles que confessam corajosamente sua fé nele, apesar da resistência, muitas vezes violentas, dos homens: “Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais.” (Lucas 12.6,7).

Para que reconheçamos o amor e a valorização que recebemos de Deus, basta que nos consideremos mais valiosos do que cinco pardais. Nos dias de hoje, porém, não seria prudente nos arriscarmos a subir nossa “cotação” e, com ousadia, nos compararmos ao valor de cinco araras azuis.

O que deveríamos valorizar, na verdade, muito mais do que o ouro de Ofir, é algo que não se encontra “na terra dos viventes”, conforme Jó 28.12-16:

Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar do entendimento? O homem não conhece o valor dela, nem se acha ela na terra dos viventes. O abismo diz: Ela não está em mim; e o mar diz: Não está comigo. Não se dá por ela ouro fino, nem se pesa prata em câmbio dela. O seu valor não se pode avaliar pelo ouro de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira.

Quanto a nós, pecadores que fomos resgatados pelo precioso sangue do filho de Deus, me parece melhor nos contentarmos em cantar músicas mais parecidas como a do Padre Zezinho, que diz:

Eu não sou digno, ó meu Senhor

Eu não sou digno

De que Tu entres, ó meu Senhor, na minha casa

Porque és tão Santo e eu pecador

Eu nem me atrevo a te pedir este favor

[...]

Mas se disseres uma palavra

A minha casa se transformará

Uma palavra é suficiente

Suavemente ela nos salvará

A dignidade, como retratada nas Escrituras, pode nos parecer um conceito contraditório, pois, reconhecendo que não se tem, se conquista; julgando que se tem, se perde, conforme podemos deduzir de Mateus 16.25: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á”; e de Mateus 10.38 “[...] quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.”

Tomemos, pois, a nossa cruz, e ajustemos a nossa postura através de uma correta adoração.

Terceiro apelo – ajustar a perspectiva através da fé no verdadeiro evangelho (26)

“Irmãos, descendência de Abraão e vós outros os que temeis a Deus, a nós nos foi enviada a palavra desta salvação”.

Note-se que Paulo fala de uma salvação específica: “desta salvação”. Podiam estar esperando outro tipo de salvação, não transcendental, mas literal, um restabelecimento do reino na terra aqui e agora. Não era, porém, desta salvação que Paulo veio falar, não era esta salvação que Deus enviou através de Jesus.

É possível que até mesmo João Batista, apesar de ser portador da Palavra de Deus, estivesse contaminado com uma perspectiva distorcida a respeito da salvação que anunciava. Digo isto por causa da pergunta que, do cárcere, mandou seus discípulos fazerem a Jesus: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Mateus 11.3). Mas certamente a resposta de Jesus foi suficiente para a fé do jovem profeta: “os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Mateus 11.5,6).

João Batista se consolou e descansou nas palavras de Cristo, ajustando sua perspectiva pela fé no verdadeiro evangelho, o qual anunciara de forma tão brilhante, tendo completado tão precocemente a sua carreira.

O conteúdo da pregação, seja de Paulo, seja de Pedro, seja de João (o evangelista), comumente incluía uma menção a João Batista, como se quisessem reafirmar que suas pregações estavam em sintonia. Talvez isto contribuísse para corrigir a perspectiva distorcida de que a salvação anunciada era imediata, visível, terrena, como seria mais popular entre os judeus, ansiosos por se libertarem do jugo romano e voltarem à antiga glória dos tempos de Davi e Salomão.

Conclusão

O mesmo desvio de perspectiva que houve por parte dos judeus daquele tempo pode ser observado ainda hoje nas igrejas. Deseja-se libertações e curas, mas o propósito de Deus é superior, pois ele deseja que “nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2ª Pedro 3.9).

Atendamos, pois, à força dos apelos presentes na pregação do próprio João Batista, precursor do Senhor Jesus. Ajustemos nossa conduta através do arrependimento; ajustemos nossa postura através da correta adoração; ajustemos nossa perspectiva através da fé no verdadeiro evangelho, ainda que não deixemos de clamar: Maranata! Vem, Senhor Jesus!

Artigo elaborado por: Arildo Louzano da Silveira. São José do Rio Preto, outubro de 2020.

(*) Foto do cabeçalho Batismo de Cristo 1481-1483. Por Perugino, na Capela Sistina, no Vaticano. Disponível em: Acesso em. https://pt.wikipedia.org/wiki/Batismo_de_Jesus Acesso em 08 out. 2020.

(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ªed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280p.

 

domingo, 20 de setembro de 2020

Um homem segundo o coração de Deus (Atos 13.17-22)


Este parágrafo de Atos 13.17-22 narra a primeira pregação de Paulo em sua viagem missionária. Com seu zelo, coragem e sabedoria, ele fala na sinagoga de Antioquia da Psídia, iniciando o discurso com uma contextualização histórica de Israel. 

Ao contar a história desde a saída do povo do Egito, alguns detalhes deixam transparecer aos ouvintes que Deus procura homens segundo o seu coração. Neste texto encontramos pelo menos três características de um homem segundo o coração de Deus.

Um homem que domina seus maus costumes (17-18)

“O Deus deste povo de Israel escolheu nossos pais e exaltou o povo durante sua peregrinação na terra do Egito, donde os tirou com braço poderoso; e suportou-lhes os maus costumes por cerca de quarenta anos no deserto”.

Hoje em dia, muitos hábitos saudáveis estão na moda: boa alimentação; atividades físicas; meditação antiestresse; boas amizades; descanso adequado; libertação dos vícios como cigarro e bebida; autoestima; bom relacionamento conjugal. Mas ainda predominam muitos maus costumes, os quais Deus, em sua misericórdia e amor, tem suportado. Como deve ser difícil para nosso Deus, que é Santo, suportar nossos maus costumes! Fofocas, invejas, contendas, ciúmes...

Paulo, inspirado por Deus, deixa transparecer um pouco do seu sentimento a este respeito em Romanos 13.11-14:

E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.

Assim como Deus libertou o povo da escravidão do Egito e lhes deu um lugar para morar, ele também nos tem guardado desde o nosso nascimento, e tem suprido todas as nossas necessidades. O mínimo que podemos fazer, então, para mostrar nossa gratidão, é controlar nossos maus costumes, e cultivar bons hábitos como ler a Bíblia e orar diariamente, ir à igreja, dividir os trabalhos domésticos; trabalhar honestamente; ajudar os colegas no trabalho e na escola;

Um homem que reconhece a fraqueza dos homens (19-21)

[...] e, havendo destruído sete nações na terra de Canaã, deu-lhes essa terra por herança, vencidos cerca de quatrocentos e cinquenta anos. Depois disto, lhes deu juízes, até o profeta Samuel. Então, eles pediram um rei, e Deus lhes deparou Saul, filho de Quis, da tribo de Benjamim, e isto pelo espaço de quarenta anos.

O povo que saiu do Egito, seguindo o grande profeta Moisés, continuou na conquista da Canaã sob a liderança do grande general Josué e, depois da morte deste, obteve muitas vitórias incitado pelos juízes, e um reposicionamento espiritual importante por meio de Samuel, que uniu toda a nação e a preparou para o reinado de Saul, o primeiro rei, que foi ungido meio a contragosto, de forma que o Senhor teve que consolar a Samuel com estas palavras: 

[...] Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele. Segundo todas as obras que fez desde o dia em que o tirei do Egito até hoje, pois a mim me deixou, e a outros deuses serviu, assim também o faz a ti.

O povo se iludia, pensando que um rei lhes seria como um “super-homem”, mas logo se decepcionaram, ao sofrerem na pele com as fraquezas espirituais e psicológicas do imponente, belo e atlético rei Saul.

A humanidade não mudou muito quanto a isto, e através da história percebemos a importância dos “super-homens” no desenvolvimento dos povos. Muitos destes homens tornaram-se idolatrados. Uma publicação da revista Mundo Estranho em 2011[1] elegeu os dez maiores revolucionários da história, conforme abaixo:

Jean-Jacques Dessalines (1758-1806) - Um escravo nascido em Guiné venceu as tropas de Napoleão e transformou o Haiti em um país independente. Dessalines envolveu-se com grupos armados na adolescência e foi aclamado como imperador do novo país em 1804. Morreu dois anos depois, com fama de ditador, tentando conter um grupo de rebeldes;

Simon Bolívar (1783-1830) - Bolívar ajudou a libertar seis países (Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá, Venezuela e Peru). Além de liderar os exércitos locais contra a Espanha, ele também idealizou um país democrático, a Grã-Colômbia, que reunia os atuais Panamá, Venezuela, Equador e Colômbia. A nação surgiu em 1819 e rachou após sua morte;

Maximilien de Robespierre (1758-1794) - Nenhum outro movimento foi tão influente quanto a Revolução Francesa, que teve este intelectual entre seus principais líderes. Curiosamente, na própria França, o movimento durou pouco, provocou milhares de mortes na guilhotina e acabou com Napoleão assumindo o poder. Mas os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade permaneceram;

Fidel Castro (1926-2016) - Começando com apenas 82 pessoas, ele atravessou Cuba, angariou apoio e chegou ao poder. O companheiro Che Guevara tentou repetir o exemplo no Congo e na Bolívia sem sucesso;

George Washington (1732-1799) - Após a guerra pela independência, o grande líder militar dos EUA foi também o primeiro presidente da nova nação. Para garantir que o país não fosse invadido, não se desmembrasse e também não se transformasse em uma federação, ele recorreu a toda a sua habilidade política;

Guilherme de Orange (1533-1584) - Orange iniciou o movimento para vencer o exército da Espanha, um dos mais poderosos da época. Ele morreu antes de ver os Países Baixos conseguirem a independência definitiva, que só viria em 1648. A bandeira de sua família inspirou a da Holanda;

Mao Tsé-Tung (1893-1976) - O líder começou a reunir simpatizantes na China em 1927, atravessou o país na década de 1930 e apenas em 1949 levou os comunistas ao controle da nação. Ficou no poder até o fim de sua vida e foi o responsável direto pela morte de estimados 50 milhões de pessoas;

Mahatma Gandhi (1869-1948) - Com a política de não-violência, que durou 20 anos e o levou a encarar a prisão várias vezes, ele mobilizou a opinião pública internacional e criou condições políticas que permitiram que a Índia se tornasse independente;

Vladimir Lênin (1870-1924) - Aos 16 anos, quando seu irmão foi preso por tentar matar o imperador Alexandre III, ele adotou o marxismo e liderou a revolução mais influente do século 20;

Júlio César (100-44 a.C.) - Após vencer uma longa guerra civil contra o senador Pompeu, ele transformou a República Romana num império que só iria acabar oficialmente no ano 476.

O povo de Israel pediu para si um rei, porque queria ser como as outras nações, que tinham rei. Muitas igrejas também querem ser como as outras igrejas, que têm um líder forte, empolgante, que “entra e sai” para vencer as batalhas. Seus líderes atuais, que os exortam a seguir no caminho da retidão, talvez não sejam empolgantes, não têm a pompa de um rei, mas são homens que sinceramente desejam que a igreja aprenda e pratique a vontade de Deus. O Senhor Jesus, em seu ministério terreno, era assim, e acabou sendo rejeitado pelos que esperavam um messias mais revolucionário.

Existe um movimento crescente, hoje, que incentiva o indivíduo a ser o seu próprio líder; quando não, que os líderes saibam ser humildes e aproveitem o potencial dos seus liderados. Recomenda-se como sadio, até mesmo, a alternância de liderança – assim como os pássaros migrantes se revezam ao voarem em formação de “v”. Não sei se estes conceitos seriam aplicáveis também a uma igreja, mas uma coisa é certa: qualquer que seja escolhido como líder deve se reconhecer e ser reconhecido como um homem sujeito a fraquezas, dependente do Senhor.

Um homem que faz a vontade de Deus (22)

“E, tendo tirado a este, levantou-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade”.

Esta é a única passagem na Bíblia em que encontramos a afirmação de que um homem seja segundo o coração de Deus. Então, se isto é possível acontecer, seria bom dar uma revisada na história de Davi, para tentar entender o que faz um homem receber este tão honroso título. Vejamos:

  1. Descendente de Rute e Boaz, um exemplo de casal temente a Deus (Rute 4.17-22);
  2. O Espírito do Senhor se apossou dele (1Sm 16.13);
  3. Músico, dedilhava a harpa para Saul sentir-se melhor (1º Samuel 16.23);
  4. Trabalhador, fazia jornada dupla como músico do rei e pastor de ovelhas (1º Samuel 17.15);
  5. Inflamado pela causa do Senhor, quando ouviu que o gigante Golias desafiava o exército do Deus vivo (1º Samuel 17.26);
  6. Prudente (1º Samuel 18.5);
  7. Fiel, como testemunhou o sacerdote Aimeleque (1º Samuel 22.14);
  8. Humilde para aceitar o conselho de uma mulher humilde (1º Samuel 25.32-35);
  9. Justo ao determinar que os guerreiros dividissem os despojos com os que guardavam as bagagens (1º Samuel 30.21-25);
  10. Sensível, ao compor uma lamentação por Saul e Jônatas, quando recebeu a notícia de sua morte (2º Samuel 1.17,23,24);
  11. Temente a Deus ao interromper a cerimônia e o transporte quando Deus puniu Uzá com a morte, por ter tocado, inadvertidamente, na Arca da Aliança (2º Samuel 6.9);
  12. Alegre no Senhor, quando renovou suas forças para trazer a Arca, desta vez da maneira certa (2º Samuel 6.15);
  13. Crente na promessa de Deus, de que sua descendência reinaria para sempre (2º Samuel 7.26);
  14. Resignado para com a vontade do Senhor, quando foi amaldiçoado por Simei, reconhecendo que era por causa de seus próprios pecados (2º Samuel 16.11);
  15. Responsável no cumprimento dos seus deveres quando, mesmo em condições psicológicas abaladas, por causa da traição e morte de seu filho, foi ao povo e fez seu papel de líder (2º Samuel 19.7,8);
  16. Amoroso para com o povo ao qual liderava, pois, quando pecou por fazer recenseamento sem a ordem de Deus e o povo foi castigado, intercedeu pelo povo (2º Samuel 24.17);

Assim como é raro, mesmo na Bíblia, achar um homem segundo o coração de Deus, o mesmo se aplica a uma mulher virtuosa. Provérbios 31.10 questiona: “mulher virtuosa, quem a achará”? Parece que somente Boaz achou uma, conforme Rute 3.11: “Agora, pois, minha filha, não tenhas receio; tudo quanto disseste eu te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa”. Uma das maiores virtudes de Rute era amar a sua sogra. Vocês, mulheres, o que acham disso?

Conclusão

Moisés liderou o povo que tinha maus costumes. Samuel liderou o povo que o rejeitou e pediu para si um rei. Sob a liderança dele, de Saul e, por último, de Davi, Israel consolidou o seu território, vencendo a última resistência: os Filisteus. O rei Davi ampliou o território, chegando ao auge territorial de Israel. Deus levantou estes líderes, todos com muitas virtudes, mas todos pecadores.

No tempo determinado, porém, Deus enviou o seu próprio Filho, Jesus, que foi morto por nós e ressuscitou, para reinar para sempre, para estar sempre presente. Ele é, de fato, o verdadeiro Homem que fez toda a vontade de Deus, o qual tem tolerado a rebeldia dos homens, desde a sua criação até aos dias de hoje. O alcance do amor de Deus se revela em passagens como a de Isaías 46.3-5:

Ouvi-me, ó casa de Jacó e todo o restante da casa de Israel; vós, a quem desde o nascimento carrego e levo nos braços desde o ventre materno. Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei. A quem me comparareis para que eu lhe seja igual? E que coisa semelhante confrontareis comigo?

Nós, como igreja e como indivíduos, precisamos reconhecer que o fato de sermos abençoados, e de termos os nossos pecados tolerados, não significa que Deus nos aprova, mas apenas que ele nos ama, e que tem sido paciente para conosco, desejando que nos esforcemos para nos tornarmos homens segundo o seu coração, dominando nossos maus costumes, reconhecendo a fraqueza dos homens, fazendo a vontade de Deus.

 


[1] CORDEIRO, Tiago. Os 10 maiores revolucionários da história. Mundo estranho, 2011. Disponível em: https://mundoestranho.abril.com.br/historia/os-10-maiores-revolucionarios-da-historia/# Acesso em 24 set. 2017.

(*) Foto do cabeçalho disponível em: https://www.espacopregador.com/2017/03/davi-um-homem-segundo-o-coracao-de-deus.html Acesso em. 21set. 2020.

(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em Português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ªed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280p.

Artigo elaborado por: Arildo Louzano da Silveira. São José do Rio Preto, setembro de 2020.

 

 

sábado, 5 de setembro de 2020

Um missionário qualificado (Atos 13.14-16)

Andei fazendo muitas provas de concursos alguns anos atrás. A primeira coisa que fazia antes de me inscrever num concurso era ler o edital para ver se eu preenchia os pré-requisitos para o cargo pretendido.

Olhando para o início da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, podemos notar um paralelo, numa jornada que estava apenas começando, e a maneira como eles faziam a obra que lhes fora confiada, nos serve de exemplo. Aprendemos nestes poucos versículos que, para ser um missionário, é preciso se qualificar, para não fazer a obra de Deus relaxadamente. Neste parágrafo encontramos três pré-requisitos para que um missionário seja usado por Deus em sua obra.

Primeiro pré requisito: Zelo (14)

“Mas eles, atravessando de Perge para a Antioquia da Pisídia, indo num sábado à sinagoga, assentaram-se”.

O fato de os missionários terem ido à sinagoga no sábado demonstra o seu zelo para com as coisas que se referem à sua religião. É claro que, se eles buscavam oportunidades para pregar o evangelho, não havia lugar melhor para ir do que a sinagoga, onde se reuniam todo sábado pessoas que buscavam a adoração, a comunhão e o aprendizado da Palavra de Deus. Mas não se trata somente disto, pois o hábito os levaria ao local de adoração independentemente de haver ali uma oportunidade de pregar.

Um missionário, em primeiro lugar, tem que ser zeloso, fazendo-se sempre presente na congregação, o que pode não ser tão fácil quanto parece, à primeira vista. São chuvas, sóis, intercorrências mil, que escusam a maioria dos “mortais” que costumam faltar aos cultos. Mas um missionário ou aspirante não se deixa levar pelas intempéries, e confia em seu Deus que proverá livramento, de sorte que poderá estar presente onde outros falhariam. Em situações difíceis, ele sempre se lembra de exortações como as de Hebreus 10.19-25:

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.

Todos os cristãos deveriam ser zelosos quanto ao hábito de se congregarem, pelo menos no domingo, que tradicionalmente é o dia de descanso, conforme sinalizado nas Escrituras, em passagens como 1ª Coríntios. 16.1-2 e Atos. 20.7, e estabelecido oficialmente desde o império romano, conforme Codex Justinianus, lib. 13, it. 12, par. 2:

Que todos os juízes, e todos os habitantes da Cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante, atendam os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos; visto acontecer a miúdo que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo céu.

Conforme o catecismo da igreja católica, §2175:

O Domingo distingue-se expressamente do sábado, ao qual sucede cronologicamente, cada semana, e cuja prescrição ritual substitui, para os cristãos. Leva à plenitude, na Páscoa de Cristo, a verdade espiritual do Sábado judaico e anuncia o repouso eterno do homem em Deus. Com efeito, o culto da lei preparava o mistério de Cristo, e o que nele se praticava prefigurava, de alguma forma, algum aspecto de Cristo (1Cor 10,11).

E conforme a Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XXI parágrafo VII

Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (descanso) santificado por Ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado Domingo, ou dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão [Exo. 20:8-11; Gen. 2:3; I Cor. 16:1-2; At. 20:7; Apoc.1:10; Mat. 5: 17-18].

Há também igrejas que preferem se reunir principalmente aos sábados, e há outros cultos e programações ao longo da semana, às vezes seletivos, mas todos eles importantes. Um aspirante a missionário precisa ser zeloso e valorizar as reuniões dos irmãos.

Segundo pré requisito: Coragem (15)

“Depois da leitura da lei e dos profetas, os chefes da sinagoga mandaram dizer-lhes: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação para o povo, dizei-a”.

A pergunta feita pelos chefes da sinagoga era a deixa para eles evangelizarem a audiência. Não sei quanto a você, mas, se eu estivesse no lugar de Paulo e Barnabé, nesta hora, sentiria um frio na barriga, pois a responsabilidade era muito grande. Tornaram-se o centro das atenções, e todos deveriam estar fitando-os atentamente para ouvirem uma mensagem inteligente, empolgante, que valesse a pena o seu precioso tempo. Não podiam falhar.

O que falar, como falar, cada detalhe era importante, para que a oportunidade recebida fosse bem aproveitada. A coragem para falar vinha, em parte, pelo fato de estarem preparados de antemão, de conhecerem muito bem as escrituras, e como aplica-las a cada situação, mas vinha, sobretudo, da fé em Deus, que os enviara e que não iria, de modo algum, os abandonar, chegando, inclusive, a colocar as palavras certas em suas bocas, conforme a necessidade.

Há pessoas que são conhecidas por sua coragem, mas outras, por sua covardia. Seria possível alguém que é covarde praticar atos de bravura? Sim, Deus pode escolher e capacitar os tímidos para atos grandiosos. Exemplo disto é o Gideão, valente pelos seus feitos, mas sempre hesitante no seu coração, pelo que pedia constantemente sinais de aprovação da parte de Deus, e ficou conhecido como o inventor da famosa “prova da lã”. Lemos em Juízes 6.11-14, 27, 32, 39 e 7.10,11 que:

Então, veio o Anjo do SENHOR, e assentou-se debaixo do carvalho que está em Ofra, que pertencia a Joás, abiezrita; e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o pôr a salvo dos midianitas. Então, o Anjo do SENHOR lhe apareceu e lhe disse: O SENHOR é contigo, homem valente. Respondeu-lhe Gideão: Ai, senhor meu! Se o SENHOR é conosco, por que nos sobreveio tudo isto? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o SENHOR subir do Egito? Porém, agora, o SENHOR nos desamparou e nos entregou nas mãos dos midianitas. Então, se virou o SENHOR para ele e disse: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu? [...] Então, Gideão tomou dez homens dentre os seus servos e fez como o SENHOR lhe dissera; temendo ele, porém, a casa de seu pai e os homens daquela cidade, não o fez de dia, mas de noite. [...] Naquele dia, Gideão passou a ser chamado Jerubaal, porque foi dito: Baal contenda contra ele, pois ele derribou o seu altar. [...] Disse mais Gideão: Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que mais esta vez faça eu a prova com a lã; que só a lã esteja seca, e na terra ao redor haja orvalho. [...] Se ainda temes atacar, desce tu com teu moço Pura ao arraial; e ouvirás o que dizem; depois, fortalecidas as tuas mãos, descerás contra o arraial [...].

Ser corajoso não é necessariamente ser isento do medo, mas é ir adiante, com fé, apesar do medo. Este pré-requisito é desejável naquele que aspira a ser um missionário.

Terceiro pré requisito: Sabedoria (16)

“Paulo, levantando-se e fazendo com a mão sinal de silêncio, disse: Varões israelitas e vós outros que também temeis a Deus, ouvi”.

Um missionário evangelista se destaca, frequentemente, por sua ousadia no falar. O seu zelo e a sua coragem o levam a falar, sem rodeios, a realidade da situação do homem, miserável pecador, condenado ao inferno, cuja única esperança é crer em Jesus para remissão dos pecados, evitando, assim, o juízo. E é preciso, mesmo, ser muito incisivo na pregação do evangelho, e não deixar lugar para dúvidas quanto à urgência do arrependimento e da conversão, antes que seja tarde.

Há, porém, um dilema a ser considerado. Ninguém gosta de ouvir certas verdades, e se o missionário não tiver sabedoria no falar, e habilidade para atrair, vai acabar assustando, criando resistências, e fracassando em sua missão. Como conciliar uma mensagem contundente e ao mesmo tempo atraente? É o que Paulo sabia fazer de melhor, usando a sabedoria que Deus lhe deu, e que ele cultivou, desde a sua mocidade.

Note que ele começa o seu discurso na sinagoga reconhecendo a presença de varões israelitas e dos demais que temem a Deus, ou seja, os prosélitos dentre os gentios. Paulo adaptava o seu discurso conforme os seus ouvintes, como ele diz em 1ª Coríntios 9.22: “Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns”.

O amor pelos seus ouvintes o levava a aperfeiçoar a sua sabedoria, pois, se o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, o amor é o vínculo da perfeição, conforme Colossenses 3.12-17 12:

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

Com temor do Senhor, e amor pelas almas perdidas, que nos leva a nos dedicarmos ao aperfeiçoamento de nosso procedimento e discurso, se cultiva a sabedoria, pré-requisito daquele que aspira a ser um missionário.

Conclusão:

Se você é jovem, e aspira a ser um missionário, é uma excelente obra que almeja, e oro para que o Senhor lhe capacite com zelo, coragem e sabedoria.

Mas se você, como eu, já não é tão jovem, e pensa: “por que razão deveria me preocupar com esses pré-requisitos, visto que já sou velho, e já passou o tempo de me dedicar a missões”? Ouça meus argumentos.

Em primeiro lugar, não podemos dizer que somos velhos para iniciar um novo ciclo em nossas vidas, pois há exemplos na Bíblia de homens que iniciaram novas fases em idade muito avançada. Cito como exemplos Abraão e Moisés. Abrão se considerava velho com cerca de 85 anos de idade (Genesis 15.2; 17.24,25), mas Deus mudou a sua vida a partir dos 100 anos, com o nascimento de Isaque, e lhe deu uma sobrevida de 75 anos (Gênesis 25.7); Moisés também se considerava velho e incapaz aos 80 anos quando seu verdadeiro ministério começou, e Deus lhe deu sobrevida de mais 40 anos.

Em segundo lugar, e isto agora se aplica tanto a velhos como a jovens, para ser um missionário não é preciso viajar ao outro lado do mundo. Podemos ser missionários em nosso lar, em nossa escola, em nosso trabalho. Somos forasteiros, estamos em terra estranha, somos embaixadores de Cristo. Para finalizar, quero compartilhar com você um corinho infantil que tem tudo a ver com o tema deste artigo:

Posso ser um missionariozinho, se falar de Cristo ao companheirinho; Posso trabalhar em minha terra. Manda-me, pois, Senhor! Não preciso atravessar os mares para dar aos outros novas salutares; posso fornecer sustento aos outros que meu Senhor mandou. Hei de orar e trabalhar fielmente; caso Deus me chame seguirei contente. para os campos que vão branquejando dispõe de mim, Senhor.

DEAL, Harold; BARTELLS, Henry Dekoven. Posso Ser um Missionariozinho.

(*) Foto do cabeçalho disponível em: http://geografiageralebiblica.blogspot.com/2011/01/israel-na-epoca-do-novo-testamento.html  Acesso em. 05 set. 2020.

(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em Português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ªed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280p.

Artigo elaborado por: Arildo Louzano da Silveira. São José do Rio Preto, setembro de 2020.

 

domingo, 23 de agosto de 2020

Um nome para ser lembrado (Atos 13.4-13)

Você já teve, ou tem um apelido? Eu já fui chamado, na infância, de elefante, porque era bem mais gordinho do que os meus colegas. Conheço alguém que, quando mocinha, tinha o apelido de fronha, porque era muito chorona. Alguns apelidos são bem carinhosos, mas outros são provocativos, e podem causar até danos psicológicos graves.

Neste parágrafo de Atos 13.4-13, que contém a narração do início da primeira viagem missionária, Lucas, o autor de Atos, tem um cuidado especial em falar do significado do nome de Elimas. Também o versículo 8 é famoso por indicar a transição do nome de Saulo para Paulo.

Estas informações me levaram a meditar na importância do significado de outros nomes envolvidos na história, e no fato de que nossas atitudes determinam o nome pelo qual seremos lembrados. Podemos identificar aqui pelo menos quatro atitudes que determinam um nome para ser lembrado.

Primeira atitude: Seguir as ordens do Espírito Santo (4,5)

“Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. Chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas judaicas; tinham também João como auxiliar”.

Saulo e Barnabé eram homens que seguiam as ordens do Espírito Santo, deixando que ele guiasse seus passos. Barnabé era o apelido de José, o levita natural daquela ilha de Chipre. Seu apelido, não era à toa, significava “filho do descanso”, “filho da exortação”.

Saulo, nome que no hebraico é o mesmo que Saul, “o desejado”, “o querido”, teve seu nome mudado para Paulo, de origem latina, que significa “pequeno” ou menor”. É bem possível que o próprio Paulo quis usar esse nome, para enfatizar que ele se considerava o menor dos apóstolos (1a Coríntios 15.9), o principal dos pecadores (1a Timóteo 1.15), que chegou a ser considerado lixo do mundo, escória de todos (1a Coríntios 4.13).

Mas apesar de Paulo a si mesmo se humilhar, ou talvez por esta causa mesmo, Deus o exaltou, e hoje ele é lembrado como o maior dos apóstolos, um exemplo de santidade, de obediência, de dedicação, de amor sacrificial, e tudo isso por sua atitude, junto com Barnabé e outros, de se deixar guiar pelo Espírito Santo, de seguir as suas ordens.

Segunda atitude: Buscar o que é sadio para a alma (6,7)

"Havendo atravessado toda a ilha até Pafos, encontraram certo judeu, mágico, falso profeta, de nome Barjesus, o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, que era homem inteligente. Este, tendo chamado Barnabé e Saulo, diligenciava para ouvir a palavra de Deus."

O governador da ilha, o procônsul Sérgio Paulo, era conhecido como um homem inteligente. Não sei se ele era bom em matemática, ou se ele sabia tudo sobre leis, ou medicina, ou sobre outras ciências. Mas sabemos que, de fato ele era inteligente, porque buscou o que era sadio para a sua alma. Prova disto é que ele chamou Barnabé e Saulo, e “diligenciava para ouvir a Palavra de Deus”.

Ele era um dos grandes homens de sua época, e até seu primeiro nome, Sérgio, de origem latina, era significativo, pois quer dizer “nascido da terra”, “nasceu um prodígio”, “nasceu um grande milagre”. Mas quem sabe, depois de ouvir e crer no evangelho, não preferiu ser chamado pelo seu segundo nome, Paulo, o “pequeno”, pois agora que decidira se tornar servo do Senhor Jesus, podia se alegrar em ser pequeno, já que Mateus 11.25 diz: “Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos”.

A atitude de Sérgio Paulo, de buscar o que é sadio para a sua alma, a Palavra de Deus, fez com que ele seja lembrado até hoje como um homem inteligente.

Terceira atitude: encher-se de engano (8-11)

Mas opunha-se-lhes Elimas, o mágico (porque assim se interpreta o seu nome), procurando afastar da fé o procônsul. Todavia, Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fixando nele os olhos, disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perverter os retos caminhos do Senhor? Pois, agora, eis aí está sobre ti a mão do Senhor, e ficarás cego, não vendo o sol por algum tempo. No mesmo instante, caiu sobre ele névoa e escuridade, e, andando à roda, procurava quem o guiasse pela mão.

Há pessoas, porém, que têm atitudes negativas, como o judeu chamado Barjesus. Seus pais devem ter-lhe dado esse nome em homenagem ao Senhor, pois significa “filho de Jesus”, ou “filho de José”, ou “filho de Josué”, que por sua vez significa “Javé é o Salvador”, “Jeová é o Salvador”.

Esse Barjesus passou a ser conhecido como Elimas, de provável origem árabe, que significa “homem sábio”. O mesmo significado de Mago, ou Mágico, nome dado pelos babilônicos (caldeus), Medos, Persas e outros, a homens sábios, mestres, sacerdotes, médicos, astrólogos, videntes, intérpretes de sonhos, áugures, advinhadores, feitiçeiros etc.

Mas sua atitude negativa, de enganar e deixar se encher de enganos, fez com que ele recebesse de Deus, através de Paulo, o nome de huios diabolos, “filho do diabo”, no lugar de seu nome de nascença, que era “filho de Jesus”.

Há muitos hoje em dia como Elimas, que se acham e são considerados intelectuais neste mundo, mas tristemente um dia também serão conhecidos como “filhos do diabo”, porque cultivam essa atitude, de se encher de engano.

Gostaria de registrar aqui uma advertência especial. Não nos deixemos encher do engano de filmes, séries e livros que são escritos por “intelectuais” como Elimas, que se opõe ao evangelho.

Quarta atitude: Buscar o caminho mais suave (12,13)

"Então, o procônsul, vendo o que sucedera, creu, maravilhado com a doutrina do Senhor. E, navegando de Pafos, Paulo e seus companheiros dirigiram-se a Perge da Panfília. João, porém, apartando-se deles, voltou para Jerusalém."

João, nesse momento, escolheu o caminho mais suave, não enfrentando as dificuldades da viagem, voltando para sua casa em Jerusalém.

Uma pessoa com essa atitude é popularmente conhecida como quem só quer o “filé”, não quer saber de “roer o osso”; só quer a “nata”, só o “glacê do bolo”. A vida não é assim. Devemos ter consciência de que precisamos “ralar”, se quisermos ter bons frutos na vida.

Por causa dessa atitude, de buscar o caminho mais suave, mais fácil, João, quando houve uma nova oportunidade de servir numa viagem missionária, foi rejeitado por Paulo, que se lembrou de João como “aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho” (Atos 15.38). Se Paulo fosse dar um apelido a João, nessa ocasião, provavelmente seria algo como “furão”, “corpo mole”, ou coisa parecida.

Mas depois, como sabemos (2a Timóteo 4.11), João Marcos foi relembrado pelo mesmo Paulo como aquele que é “útil para o ministério”. E até hoje é famoso no mundo inteiro pelo nome de Marcos, possivelmente por ter mudado de atitude. O nome “Marcos” dá a ideia daquele que se coloca como defesa, que está pronto para defender as pessoas, um território, a fé.

Conclusão

Qual é o apelido que as pessoas andam te dando? Como é que você gostaria de ser conhecido? Folgado, preguiçoso, mentiroso... às vezes as pessoas nos dão apelidos ruins, de maneira injusta, mas quanto a isto deixemos nas mãos do Senhor. Se, porém, nossas atitudes justificam um nome pejorativo, precisamos mudar.

Se você acha que o nome pelo qual está sendo lembrado não é um bom nome, então ainda pode mudar de atitude, e Deus pode mudar o seu nome. Em Apocalipse 2.17, na carta à igreja de Pérgamo, é mencionada uma pedrinha branca com um novo nome que será dado àqueles a quem Deus considera como vencedores.

Ter um bom nome para ser lembrado é importante, porém mais importante ainda é que nossas atitudes glorifiquem o nome que está acima de todo nome, o qual é apresentado em Filipenses 2.9-11: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.”

Artigo elaborado por: Arildo Louzano da Silveira. São José do Rio Preto, agosto de 2020. 

(*) Foto do cabeçalho disponível em: https://www.submarinoviagens.com.br/bora-nessa-trip/chipre-a-ilha-do-amor/ Acesso em 23 ago. 2020.

(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em Português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ª ed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280p.

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Preparados para a Obra de Deus (Atos 12.25-13.3)

 

De acordo com a Universidade Estácio[1], o conceito de empregabilidade aborda respostas para perguntas como o nível de importância da sua experiência; até que ponto o seu conhecimento teórico diferencia você dos outros; por quais razões uma empresa desejaria manter você como colaborador.

Podemos comparar princípios como estes também quando se trata de nos mantermos “empregáveis” na obra de Deus, pois esta é prioridade da igreja. As pessoas da igreja devem estar prontas para compor qualquer frente de trabalho para a qual Deus as chamar. Neste parágrafo encontramos pelo menos três frentes de trabalho das quais podemos fazer parte e, para isso, devemos estar sempre preparados.

Diáconos e ministros. (12.25)

“Barnabé e Saulo, cumprida a sua missão, voltaram de Jerusalém, levando também consigo a João, apelidado Marcos”.

A primeira frente de trabalho para a qual podemos ser chamados é composta por diáconos e ministros, ou, para sermos mais claros quanto ao significado da palavra grega que originou estes termos, poderíamos dizer: servos, escravos. O diácono está sempre disposto a servir ou, como se costuma dizer no Brasil, está sempre “às ordens”. O ministro, embora tenha um nome que consideramos, hoje em dia, “pomposo”, é aquele que é designado para um serviço específico, voluntário, e muitas vezes dispondo de seus próprios recursos, por amor à obra.

Era assim que Barnabé, Saulo e Marcos serviram ao Senhor, no contexto deste parágrafo, se dispondo a cumprir as missões, ou serviços, que a igreja lhes designava.

Vamos imaginar o seguinte diálogo entre os apóstolos:

- E aí, Barnabé? Que bom que conseguimos cumprir nossa missão, não é? Deus nos livrou dos assaltantes pelo caminho, e conseguimos entregar o dinheiro da oferta e ainda ter uma boa comunhão com os irmãos de Jerusalém. Acho que está na hora de voltarmos.

- Verdade. A Igreja de Antioquia está crescendo bastante, e temos muito trabalho a fazer por lá. A propósito, meu primo Marcos disse que queria ir conosco, pois tem o desejo de servir ao Senhor como missionário. O que você acha?

- Sim, pode ser uma boa ideia, que bom que ele tem este desejo. Vamos levá-lo conosco.

Marcos era membro de uma família muito rica de Jerusalém. Seus pais eram muito influentes, e muito conhecidos por seus serviços sociais relevantes. Foi na casa deles que a igreja estava hospedada quando aconteceu o milagre de Pentecostes. Marcos tinha um grande desejo de servir a Deus, desde a sua infância, e agora ele finalmente tinha tomado uma importante decisão. Não ia mais deixar-se vencer pelo medo, mas ia mergulhar de cabeça no serviço missionário, mesmo que isto significasse enfrentar muitos perigos e privações. A presença de seu primo, juntamente com Paulo e os demais irmãos de Antioquia, dando testemunho da maravilhosa obra que o Senhor, por meio deles, estava realizando entre os gentios, foi o impulso que ele precisava para vencer sua própria inércia. Foi por isso que, mesmo de maneira tímida, compartilhou com seu primo Barnabé, cuja fé e coragem muito admirava, as intenções de seu coração. Ficou muito feliz ao receber a notícia de que Paulo havia concordado, e foi logo arrumando as malas, sob o olhar apreensivo de sua mãe que, mesmo orgulhosa de sua atitude nobre, preocupava-se com o que poderia vir a acontecer com o seu amado filho, que nunca tinha ido assim tão longe de casa. Mas até mesmo ela reconhecia que o serviço do Senhor exige sacrifício. Enquanto milhares de jovens de sua comunidade estavam se deixando levar pela fascinação das riquezas, Marcos tinha uma luta secreta no seu coração, não podendo se esquecer, dia e noite, das palavras marcantes ouvidas do Senhor Jesus: "Ninguém pode servir a dois senhores; [...] Não podeis servir a Deus e às riquezas".

Profetas e mestres (13.1)

“Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo.”

A segunda frente de trabalho para a qual podemos ser chamados é composta de profetas e mestres.

Marcos chegou em Antioquia e foi apresentado à igreja. Era uma congregação enorme, e ele estava muito animado por fazer parte da equipe de liderança, embora fosse ainda um mero aprendiz. Esforçou-se muito para se mostrar útil, e ouvia avidamente todos os discursos, prestava atenção em todas as conversas, pois até nas horas mais informais era possível aprender com aqueles "gigantes" da fé, vindos das mais variadas raças, nações e posições sociais. Entre os profetas e mestres de Antioquia havia o Simeão, também chamado de Níger, ou seja, Negro; havia o Lúcio de Cirene, local que hoje conhecemos como o país da Líbia, no norte da África; havia Manaém, que foi irmão adotivo de Herodes o Tetrarca. Saulo e Barnabé eram os mais conhecidos.

Marcos aprendeu que o profeta é aquele que fala corajosamente as verdades referentes à palavra de Deus e, para isso, precisa ser íntimo dele. Isso também vale para aquele que é mestre, aquele que ensina a palavra de Deus. A intimidade com Deus nós só conseguimos lendo e meditando na Bíblia, orando sem cessar, participando da comunhão, e fazendo tudo o que Jesus manda, conforme João 15.14 -“Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando”.

Missionários (2-3)

“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram.”

A terceira frente de trabalho para a qual podemos ser chamados é composta por missionários.

Quando Barnabé e Saulo foram designados para esta primeira viagem missionária, não foram para lugares totalmente desconhecidos, nem muito remotos. Marcos, que acompanhou os missionários, deve ter sido o que mais sentiu as dificuldades da viagem, por ser o menos experiente.

Nossa igreja local foi fundada por um Pastor missionário, que chegou ao Brasil em 1965, primeiramente no estado do Rio Grande do Sul. Não sei que ideia ele tinha do Brasil quando veio para cá, mas as perspectivas deveriam ser de enfrentamento de muitos perigos, se fossem baseadas na história de seus sogros, os quais já eram missionários aqui há mais tempo, tendo começado a missão numa tribo indígena, no Mato Grosso do Sul. Sua sogra contraiu poliomielite no campo missionário e ficou paralítica, mas não desistiu por causa disto. Embora tivesse que deixar as tribos e se instalar em área urbana no interior de São Paulo, manteve-se firme em seu sagrado trabalho até quando faleceu, com mais de noventa anos de idade.

Há muito tipos de missões nas quais podemos trabalhar: missões urbanas, que podem ser realizadas em sua própria cidade, missões transculturais, que podem ser realizadas em tribos indígenas ou em outros países, mas, acima de tudo, devemos estar cientes de que “cada coração com Cristo é um missionário, e cada coração sem Cristo é um campo missionário” (Dick Hills).

Conclusão

Será que Deus te chamou, ou vai te chamar para ser um profeta, mestre ou missionário? Ou talvez você esteja sentindo que precisa se dedicar ainda mais como um diácono ou um ministro? 

Pode ser que você esteja sentindo que não tem utilidade, que Deus não pode te usar, porque você não consegue ser fiel, não é forte espiritualmente. Se por acaso isso te passou pela cabeça, pense novamente em Marcos, primo de Barnabé, que estava sempre “à margem”, discreta e timidamente dando a sua contribuição para a obra de Deus, como desta vez em que Ele auxiliou Paulo e Barnabé, no início da primeira viagem missionária.

Veremos mais adiante que, na segunda viagem, ele foi sumariamente rejeitado por Paulo (Atos 15.37) como auxiliar, por tê-los abandonado em Chipre. Depois, porém, João Marcos foi publicamente reconhecido, pelo mesmo Paulo, como útil para seu ministério (2ª Timóteo 4.11).

A casa de seus pais estava sempre disponível para receber pessoas, e recebeu Jesus com os doze na última ceia, os 120 discípulos no dia do pentecostes, e a igreja reunida para oração em favor de Pedro, que foi preso durante a opressão de Herodes.

Ele pode ter sido aquele jovem que voltou entristecido por Jesus tê-lo mandado vender todos os seus bens (Marcos 10.17-22), e ainda aquele que nem teve tempo de se vestir e, envolto em um lençol, saiu na noite em que Jesus foi preso, em direção ao Getsêmani, com a intenção de avisá-lo de que os soldados estavam à sua procura. Nesta ocasião ele quase foi preso, mas fugiu nu, quando o agarraram pelo lençol (Marcos 14.51,52)[2][3]

Se essas suposições a respeito de Marcos forem verdadeiras, ele é um exemplo de alguém que era fraco, instável, tímido, indeciso, mas tinha o desejo sincero de servir Jesus. E Deus o usou grandemente, pois foi inclusive o escritor do evangelho de Marcos que, segundo alguns estudiosos, serviu como base para os outros sinóticos. 

Você, que se sente fraco, instável, tímido, indeciso, mas tem o desejo sincero de servir Jesus: Esteja preparado, mantenha a sua "empregabilidade", porque Deus pode chamá-lo também para a sua grande obra.

(Artigo elaborado por: Arildo Louzano da Silveira. São José do Rio Preto, agosto de 2020).

 

 

 

 

 


[1] Entenda o significado de empregabilidade. Portal Estácio, 2020. Disponível em: https://blog.estacio.br/empregabilidade-no-brasil/ Acesso em 01 ago. 2020.

[2] Vide comentário do Rev. Ewerton B. Tokashiki. Estudo Introdutório no Evangelho de Marcos disponível em: http://www.monergismo.com/textos/comentarios/estudo_introdutorio_evangelho_marcos_tokashiki.pdf   pag. 10 - Acesso em 29 jul. 2017

[3]. (Peço licença ao Rev. Hernandes Dias Lopes - O perigo de vestir-se com um lençol – Disponível em: http://hernandesdiaslopes.com.br/portal/o-perigo-de-vestir-se-com-um-lencol/  Acesso em: 29 jul. 2017 - para imaginar outra cena a respeito do jovem com o lençol).

(*) Foto do cabeçalho disponível em: http://pensandonascoisasdoalto.blogspot.com/2016/08/a-mulher-samaritana.html  Acesso em 13 ago. 2020.

(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em Português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ªed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280p.

 

domingo, 28 de junho de 2020

Oração, perseverança e fé (Atos 12. 1-24) - republicação


Quando eu era recém-convertido, logo aprendi na Escola Dominical que Deus sempre responde à nossa oração, mas a resposta pode ser: sim, não, ou espere. Ninguém citou um versículo para apoiar essa tese, mas aceitei porque faz sentido. Ao ler este parágrafo de Atos, porém, saltou aos meus olhos uma tese semelhante, ainda que tenha escolhido nomes diferentes para identificar os tipos de resposta. Entendi pelo texto bíblico que, na oração, Deus espera que tenhamos fé e perseverança. À nossa oração, Deus pode nos dar pelo menos três tipos de resposta.

I - Resposta Velada (1-6)

Por aquele tempo, mandou o rei Herodes prender alguns da igreja para os maltratar, fazendo passar a fio de espada a Tiago, irmão de João. Vendo ser isto agradável aos judeus, prosseguiu, prendendo também a Pedro. E eram os dias dos pães asmos. Tendo-o feito prender, lançou-o no cárcere, entregando-o a quatro escoltas de quatro soldados cada uma, para o guardarem, tencionando apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele. Quando Herodes estava para apresentá-lo, naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, acorrentado com duas cadeias, e sentinelas à porta guardavam o cárcere.

A igreja orava incessantemente por Pedro, quando ele foi preso por Herodes. Podemos deduzir disto que a igreja também orou pelos outros que foram presos anteriormente, inclusive por Tiago, que foi passado “ao fio da espada”. Veremos adiante que Deus tirou milagrosamente a Pedro do cárcere. Mas, e quanto a Tiago? Por que Deus não atendeu ao pedido da igreja e deixou que ele morresse? Bem, o fato é que Deus respondeu à oração, mas talvez não tenha sido do jeito que os irmãos esperavam. Digo que esse é um tipo de resposta velada de Deus, ou seja, uma resposta misteriosa, que não entendemos o motivo.

Embora não possamos entender plenamente o motivo, como dito acima, ainda assim podemos tentar. Tenho uma sugestão. No tempo de seu discipulado, os irmãos Tiago e João foram com sua mãe e fizeram uma “oração” a Jesus, onde a mãe “coruja” falou: “[...] Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda” (Mateus 20.21). Imagino Jesus balançando a cabeça ternamente, ao adverti-los: “Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que estou para beber?” E eles, certamente sem saber de que cálice Jesus falava, foram resolutos: “Podemos”. Ao que Jesus sentenciou: “Bebereis o meu cálice” (Mateus 20.22). Mas quis a misericórdia de Deus que, na hora do cálice mais amargo, outras personagens foram introduzidas para estar à direita e à esquerda de Jesus, pois “com ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita, e outro à sua esquerda” (Marcos 15.27). A resposta de Deus à oração da igreja por Tiago, quado preso por Herodes, no entanto, pode estar ligada àquela antiga oração da família de Zebedeu pois, como sabemos, Tiago foi o primeiro mártir dentre os apóstolos (à esquerda de Jesus?) e João, seu irmão, segundo a tradição, foi o último (à direita de Jesus?).

João 21.23 Então, se tornou corrente entre os irmãos o dito de que aquele discípulo não morreria. Ora, Jesus não dissera que tal discípulo não morreria, mas: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?

Na igreja, em nossas orações, seguindo o exemplo de Jesus, costumamos acrescentar nos pedidos que o Senhor responda, se possível, de acordo com a nossa vontade, mas que a vontade de Deus prevaleça. Acredito que era assim também que a igreja primitiva orava. A vontade de Deus foi feita a respeito de Tiago, que acabou sendo passado “ao fio da espada”, portanto essa foi uma resposta velada de Deus, uma daquelas que não compreendemos o motivo.

II - Resposta Inesperada (7-17 )

Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, tocando ele o lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! Então, as cadeias caíram-lhe das mãos. Disse-lhe o anjo: Cinge-te e calça as sandálias. E ele assim o fez. Disse-lhe mais: Põe a capa e segue-me. Então, saindo, o seguia, não sabendo que era real o que se fazia por meio do anjo; parecia-lhe, antes, uma visão. Depois de terem passado a primeira e a segunda sentinela, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade, o qual se lhes abriu automaticamente; e, saindo, enveredaram por uma rua, e logo adiante o anjo se apartou dele. Então, Pedro, caindo em si, disse: Agora, sei, verdadeiramente, que o Senhor enviou o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo judaico. Considerando ele a sua situação, resolveu ir à casa de Maria, mãe de João, cognominado Marcos, onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam. Quando ele bateu ao postigo do portão, veio uma criada, chamada Rode, ver quem era; reconhecendo a voz de Pedro, tão alegre ficou, que nem o fez entrar, mas voltou correndo para anunciar que Pedro estava junto do portão. Eles lhe disseram: Estás louca. Ela, porém, persistia em afirmar que assim era. Então, disseram: É o seu anjo. Entretanto, Pedro continuava batendo; então, eles abriram, viram-no e ficaram atônitos. Ele, porém, fazendo-lhes sinal com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão e acrescentou: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, retirou-se para outro lugar.

Em seu livro “Oásis no Deserto” (p. 141), Jackson Garcia conta uma famosa história:

[…] havia vários meses que não chovia. O calor era intenso e mortes começaram a acontecer. Ele então convocou os irmãos para se reunirem em determinado lugar, com um único objetivo: Pedir a Deus que chovesse naquele mesmo dia. Compareceu quase toda a congregação. Quando se ajoelharam para orar, o Pastor perguntou: “Além de mim, alguém mais trouxe guarda-chuva?”

GARCIA, Jackson. Oásis no deserto: Alento para vidas sedentas. Joinville: Clube dos Autores, 2016.

Parece que, na casa de João Marcos, ninguém tinha levado o “guarda-chuvas” para o culto de oração. A Rode ficou desnorteada, os outros a chamaram de louca. Custaram acreditar que Deus lhes havia atendido a oração, de forma inesperada. O próprio Pedro, no começo, achou que tudo aquilo não passava de um sonho, uma visão.

Às vezes, Deus responde assim. Uma cura, um livramento, uma “luz no fim do túnel”. Quantas vezes já ouvimos, e quantas vezes ainda ouviremos, de púlpito, um pregador inflamado citar a grande promessa: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (João 15.7). Podemos esperar sim que, em algum momento, Deus nos responda inesperadamente e fiquemos eufóricos como a Rode ficou. Só tomemos o cuidado de não nos esquecermos, e de não omitirmos a condição explícita: “se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós...”.

III - Resposta Agendada (18-24)

Sendo já dia, houve não pouco alvoroço entre os soldados sobre o que teria acontecido a Pedro. Herodes, tendo-o procurado e não o achando, submetendo as sentinelas a inquérito, ordenou que fossem justiçadas. E, descendo da Judeia para Cesareia, Herodes passou ali algum tempo. Ora, havia séria divergência entre Herodes e os habitantes de Tiro e de Sidom; porém estes, de comum acordo, se apresentaram a ele e, depois de alcançar o favor de Blasto, camarista do rei, pediram reconciliação, porque a sua terra se abastecia do país do rei. Em dia designado, Herodes, vestido de trajo real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra; e o povo clamava: É voz de um deus, e não de homem! No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou. Entretanto, a palavra do Senhor crescia e se multiplicava.

As respostas às orações da igreja não vieram todas ao mesmo tempo. Parece-nos, pelo texto indicado, que Deus agendou uma parte para cumprimento em futuro próximo. Eu me imagino naquele culto de oração, junto com Rode, Maria, João Marcos, e os demais discípulos. Uma das coisas que eu pediria a Deus era para não permitir mais que Herodes continuasse fazendo aquelas injustiças. Que o Senhor impedisse o rei cruel de maltratar assim a amada igreja. Eu tenho quase certeza de que alguém ali fez esse pedido. É plausível. A resposta de Deus, porém, veio do jeito e no tempo certo. Foi naquele “dia designado”. Quando Herodes estava em sua maior exaltação, “vestido de trajo real, assentado no trono”, requerido e bajulado. Ele não sabia, não acreditava, não esperava, mas a resposta de Deus à oração dos que ele oprimira já estava agendada.

Às vezes, Deus responde assim, como respondeu também a Daniel, que foi informado pelo anjo, em duas ocasiões, sendo uma no primeiro ano de Dario: “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado […]” (Daniel 9.23 ); e outra no terceiro ano de Ciro: “[…] Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; [...]” (Daniel 10.12,13).

Em nossos tempos tecnológicos, em que estamos acostumados a obter quase tudo instantaneamente, não podemos nos esquecer de que Deus é longânimo, e quer ver em nós o fruto da longanimidade.

Conclusão

Na oração, Deus espera que tenhamos fé e perseverança. À nossa oração, Deus pode nos dar pelo menos estes três tipos de resposta, segundo o seu propósito. Podemos receber uma resposta Velada, uma resposta Inesperada, ou uma resposta Agendada, mas Deus responderá. “[...] Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lucas 18.8).

(*) Figura Perseverança na Oração:  disponível em http://www.aliancacrista.com/2016/08/15/perseveranca-na-oracao/ acesso em 15 fev. 2018.

domingo, 3 de maio de 2020

Os poderes que nos regem (Atos 4.5-14)

Neste tempo de quarentena, em que chovem opiniões e teorias de conspirações, ficamos, muitas vezes, sem saber o que é correto, ainda mais quando testemunhamos os conflitos constantes entre poderes executivos federais, estaduais e municipais, que vez ou outra acabam entrando em choque também com legislativo e judiciário.


Em nossa cidade, já foi permitido que as igrejas voltem a realizar cultos, desde que obedeçam às recomendações de distanciamento mínimo, entre outras, mas ainda assim existe muito temor com respeito à contaminação do vírus, de forma que vemos que as coisas não voltarão ao normal tão cedo.


Neste parágrafo de Atos 4.5-14, podemos perceber que também os apóstolos se veem envolvidos em um conflito entre poderes.


Primeiro vemos, nos versículos 5 a 7, o que podemos chamar de poder político, representado pelas “autoridades, os anciãos e os escribas com o sumo sacerdote Anás, Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da linhagem do sumo sacerdote”. Estes eram homens poderosos em seu tempo, e seu poder havia sido conquistado com muito esforço. Era necessário clamarem seus direitos por hereditariedade, e o reconhecimento dos poderes políticos dos dominadores romanos. Sobre estas autoridades, R David Jones[1] comenta que:


Anás era sumo-sacerdote, posição vitalícia segundo a lei mosaica (Números 35:25), mas as autoridades romanas nomearam seu genro Caifás para tomar o seu lugar no ano 14 A.D., após apenas 7 anos. Supõe-se que João era filho de Anás, e Alexandre era um homem de destaque naquele tempo, segundo o historiador Josefo. Os outros, que “eram da linhagem do sumo sacerdote”, desejando continuar em seu agrado, decerto iriam aprovar o que ele determinasse.


As autoridades políticas constituídas em nossa sociedade são, geralmente, legítimas, tanto que a Bíblia nos ensina a respeitá-las, conforme Romanos 13.1: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”.


Por trás do poder político, porém, pode atuar o mundo espiritual, conforme nos dá a entender Efésios 2.2, quando predominam os pecados “[...]  nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”.


Depois, nos versículos 8 a 12, o poder que fica em destaque é o poder divino, pois Pedro não falava com a autoridade de um político, mas sim pelo poder do Espírito Santo. A coragem e a clareza na resposta de Pedro ao sumo sacerdote e demais autoridades, lembra o que Jesus garantiu aos seus discípulos, ao falar das tribulações do fim dos tempos, em Lucas 21.15: “porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem”.


Em resposta à interpelação a respeito da cura maravilhosa daquele coxo de nascença, que antes mendigava à porta do templo, ele declarou com firmeza: “em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado perante vós”. E ainda avisou: “este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.


Por último, nos versículos 13 e 14, entra em cena o poder das evidências. As autoridades, sabendo que os discípulos “eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus”. Além do mais, “vendo com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário”.


Homens iletrados discursando à altura de autoridades políticas, um aleijado de nascença curado diante de milhares de pessoas, eram evidências de que a mão do Jesus Ressuscitado estava agindo e, para não despertar a revolta do povo, as autoridades nada mais podiam fazer naquela hora, senão ameaçar e depois libertar os discípulos.


Os que desejam argumentar contra a verdade, sabem que têm uma dificílima missão de esconder os fatos. Foi isto o que estas mesmas autoridades tentaram fazer, quando subornaram os guardas do sepulcro para mentirem, dizendo que, enquanto adormeceram, os discípulos roubaram o corpo de Jesus (Mateus 28.11-15). A ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, até hoje, encontra quem a negue, assim como há quem negue que a terra seja redonda, mas, contra as evidências, não adiantam argumentos.


Há quem insista em argumentar com palavras bonitas, utilizando frases de efeito ou bravatas, mas Pedro podia dispensar estes artifícios. O homem que nasceu aleijado, que esmolava à porta do Templo, a estimados quarenta anos, ali estava diante dos olhos de todo o povo, e ninguém podia negar que um milagre havia sido feito, dando autoridade ao discurso dos apóstolos.


As pessoas nem sempre precisam de milagres; às vezes, bastam pequenos gestos, para se conquistar a credibilidade. Quando Tiago discute com os judeus da dispersão, a respeito da importância das obras no processo da salvação, ele faz um desafio: “mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé” (Tiago 2.18). João, falando do amor em ação, faz um apelo aos seus filhinhos: “não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade” (1ª João 3.18).


É por isto que, consciente ou inconscientemente, as evidências estão entre os poderes que nos regem, mesmo que mil palavras eloquentes tentem desviar a nossa atenção da verdade dos fatos.


Conclusão


Há poderes que nos regem e, cedendo a estes poderes, vamos tomando decisões ao longo de nossas vidas. Pode ser o respeito aos que detêm o poder político, o temor a Deus, o medo de um vírus que, evidentemente, está rondando do lado de fora, procurando alguém para contaminar.


Quando estes poderes estão em harmonia, é mais fácil viver. Quando entram em conflito, porém, seja entre si, seja com outros poderes que regem o nosso coração, só é possível prosseguir se tomarmos uma firme posição. Foi assim com Pedro e João que, neste caso, foram obrigados a confrontar o poder político, levando as autoridades, contra a sua natureza, a se submeterem ao poder divino e ao poder das evidências.


Ditas estas coisas, tenho duas perguntas a te fazer, caro leitor: quais poderes estão regendo a tua vida? Há conflitos entre estes poderes? Provavelmente você, como eu, está seguindo, neste momento, as recomendações das autoridades em saúde, para evitar a contaminação da Covid-19. Mas eu te convido a refletir, também, sobre a necessidade de se proteger, por meio da confissão de fé e da submissão ao nome do Senhor Jesus Cristo, de um perigo infinitamente maior, cujas consequências são eternas, pois, conforme alertou o apóstolo Pedro, “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.


Artigo elaborado por Arildo Louzano da Silveira. S.J.Rio Preto, maio de 2020.


 



[1] JONES, R David. Pedro e João Perante o Sinédrio. Site Fatos Bíblicos. Disponível em: http://www.bible-facts.info/comentarios/nt/pedroejoaoperanteosinedrio.htm?LMCL=iXdYQ9 Acesso em 19 abr. 2020.


(*) Foto do cabeçalho disponível em: https://escolakids.uol.com.br/geografia/o-estado-e-os-tres-poderes.htm Acesso em 03 maio 2020.


(**) Citações da Bíblia extraídas de: A Bíblia Sagrada. Traduzida em Português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada 2ªed. 1988, 1993. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012. 1280 p.